Pedro Silveira, o Clover: uma trajetória construída com tatuagem, trabalho e vontade de ir além

Pedro Silveira, o Clover: referência em coberturas, grandes projetos e tatuagem brasileira internacional.

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Pedro Silveira, o Clover: referência em coberturas, grandes projetos e tatuagem brasileira internacional.

Conhecido pelos grandes fechamentos e coberturas, Pedro Silveira construiu uma carreira que reúne milhares de clientes e alunos, trabalhos fora do Brasil, premiações, convites como jurado e empreendedorismo. Nesta entrevista ao Tattoo2me, Clover conta como tudo começou e o que ainda pretende construir.

Quem acompanha o Tattoo2me sabe o quanto gostamos de conhecer o que existe por trás do trabalho de um tatuador. Depois de tantos anos divulgando artistas, ainda é muito especial quando uma entrevista nos permite voltar algumas casas e descobrir onde aquela história realmente começou.

Com Pedro Silveira, o Clover, foi assim.

Hoje, seu trabalho está muito ligado aos grandes fechamentos e às coberturas. Pedro já atendeu milhares de clientes, formou milhares de alunos, trabalhou em diferentes países, conquistou premiações, participou de eventos e foi convidado a ocupar a cadeira de jurado.

Mas uma das informações que mais gostamos de descobrir durante esta entrevista foi outra.

Clover começou tatuando na garagem da casa da mãe.

“Eu comecei fazendo o meu trabalho na garagem de casa da minha mãe.”

É muito bom poder começar uma matéria sobre um artista que hoje trabalha internacionalmente contando isso. Porque coloca toda a trajetória em perspectiva.

Antes das viagens, existiu a garagem. Antes do reconhecimento, existiram estudo e prática. E antes de ensinar tanta gente, Pedro também precisou descobrir muita coisa sozinho.

Conversamos bastante com ele para entender esses diferentes momentos da carreira. Falamos de tatuagem, claro, mas também de clientes, coberturas, ensino, dinheiro, empresa, inseguranças, escolhas e futuro.

E Clover falou sobre tudo isso com muita abertura.

“Eu comecei tatuando, estudando, errando, aprendendo”

Pedimos que Pedro começasse do começo.

Quem é o Clover para alguém que acaba de encontrar seu trabalho?

“O Clover é, antes de tudo, um profissional que decidiu levar a tatuagem a sério como profissão, como arte e como negócio. Minha história começou de maneira muito mais simples do que as pessoas imaginam. Eu comecei tatuando, estudando, errando, aprendendo e tentando entender como poderia fazer aquilo melhor todos os dias.”

A resposta combina bastante com o que fomos percebendo durante toda a entrevista.

Existe um orgulho pelas conquistas, como deve existir, mas Pedro não fala sobre a carreira como se tudo tivesse acontecido de uma hora para outra.

“Com o tempo, a tatuagem deixou de ser apenas uma atividade profissional e passou a ser o centro de uma carreira. Vieram os clientes, os projetos maiores, os fechamentos, as coberturas, os reconhecimentos, os alunos, os eventos e, naturalmente, as oportunidades fora do Brasil.”

Hoje é possível acompanhar parte dessa história e, principalmente, muito do trabalho atual do artista pelo @cloversilveira.

São muitos anos entre aquele começo e o profissional que vemos agora.

E Pedro sabe disso.

“Hoje, quando meu trabalho atravessa fronteiras, eu vejo isso como consequência de muitos anos construindo algo consistente.”

Quando ele começou a pensar em carreira

Um ponto interessante da história de Clover é que, em algum momento, ele percebeu que ser bom tecnicamente não seria suficiente para construir tudo aquilo que desejava.

Ele queria ser tatuador, mas queria também ter uma carreira.

“Acredito que essa percepção veio quando entendi que talento sozinho não sustenta uma carreira. Eu queria construir algo que tivesse identidade, método, qualidade e que pudesse ser reconhecido independentemente de onde eu estivesse.”

É uma visão que aparece até hoje na maneira como Pedro fala sobre a profissão.

Para ele, o trabalho não termina na execução de uma boa tatuagem.

“Comecei a olhar para a tatuagem não somente como aquilo que acontecia dentro do estúdio, mas como uma profissão que poderia me permitir ensinar, empreender, viajar, participar de eventos e representar o meu trabalho em outros lugares.”

Foi quando, segundo ele, começou a “pensar em carreira, e não apenas em tatuagem”.

Anos depois, olhando para tudo o que veio a partir dessa decisão, dá para entender a importância daquele momento.

O trabalho com coberturas e as histórias que chegam junto com elas

Quem conhece o trabalho de Clover provavelmente já viu alguma de suas coberturas.

Elas ocupam um espaço importante em seu portfólio e também na história profissional do tatuador.

No @cloversilveira há vários desses trabalhos e vale conhecer com atenção, principalmente porque cobertura é uma área em que resultado final e ponto de partida precisam ser observados juntos.

Quando perguntamos por que ele se aproximou tanto desse trabalho, Pedro não começou falando da dificuldade técnica.

Falou das pessoas.

“As coberturas sempre me chamaram atenção porque existe algo muito maior do que simplesmente esconder uma tatuagem antiga.”

Quem trabalha há muito tempo com tatuagem conhece bem essa situação. Nem sempre alguém procura uma cobertura simplesmente porque não gosta mais de um desenho.

Às vezes aquela tatuagem está ligada a uma época que a pessoa prefere deixar para trás.

Pedro recebe muitas dessas histórias.

“Muitas vezes existe uma história por trás daquele desenho: uma fase difícil, uma decisão da juventude, um relacionamento que terminou, uma lembrança que a pessoa não quer mais carregar ou simplesmente uma tatuagem que deixou de representar quem ela se tornou.”

É aí que entendemos por que esse trabalho ganhou tanta importância para ele.

“Quando você consegue transformar aquilo em algo que a pessoa volta a ter orgulho de mostrar, existe um impacto emocional muito grande.”

E ele completa:

“Foi isso que me fez gostar tanto desse tipo de trabalho.”

Há muita técnica envolvida em fazer uma boa cobertura, e quem vê os trabalhos de Clover entende rapidamente isso. Mas gostamos especialmente de saber que, para ele, o resultado também passa pela forma como aquela pessoa vai voltar a enxergar o próprio corpo.

Depois de milhares de clientes, confiança continua sendo uma palavra importante

Perguntamos a Pedro o que acredita que seus clientes encontram em seu trabalho além da técnica.

Ele respondeu: confiança.

“A técnica é fundamental, mas acredito que confiança seja uma das coisas mais importantes.”

Pode parecer simples, mas estamos falando de uma profissão em que alguém entrega o próprio corpo a outra pessoa para uma intervenção permanente.

Para Clover, ouvir bem o cliente faz parte disso.

“Uma pessoa que entrega uma parte do próprio corpo para um profissional precisa sentir que está sendo ouvida e que existe alguém ali capaz de entender o que ela quer construir.”

Essa preocupação também ajuda a entender por que existem clientes dispostos a viajar para tatuar com ele.

“Eu procuro entregar um resultado tecnicamente forte, mas também uma experiência. Quero que o cliente saia sentindo que fez uma escolha certa.”

Tem gente que pega um avião para tatuar com Clover

Esse é um daqueles fatos que dizem muito sobre o trabalho de um artista.

Clientes de outros estados e até de outros países viajam para serem tatuados por Pedro.

Perguntamos como é receber alguém sabendo de tudo o que aquela pessoa organizou para estar ali.

“É uma responsabilidade enorme e, ao mesmo tempo, uma das maiores recompensas da profissão.”

Ele não trata isso como algo corriqueiro.

“Quando alguém pega um avião ou viaja centenas de quilômetros para passar horas comigo dentro de um estúdio, aquela pessoa está depositando uma confiança muito grande no meu trabalho.”

E gostamos muito da continuação dessa resposta:

“Isso me lembra constantemente que cada projeto precisa ser tratado como único. O fato de alguém viajar para me encontrar não significa que eu possa relaxar; significa justamente o contrário.”

É bonito ver um artista já consolidado falar dessa responsabilidade.

O reconhecimento chegou, mas não virou acomodação.

E então vieram os alunos

Outra parte enorme da carreira de Clover é o ensino.

Pedro já formou milhares de alunos, e quisemos entender em que momento ele percebeu que aquilo que havia aprendido poderia também ser passado adiante.

“Quando percebi que muitas coisas que eu havia aprendido com dificuldade poderiam ser ensinadas de uma maneira mais clara para outras pessoas.”

Existe bastante experiência pessoal nessa resposta.

Pedro não precisou aprender somente a tatuar.

“Eu passei por muitos erros, investi muito tempo estudando e precisei descobrir sozinho várias coisas relacionadas não apenas à tatuagem, mas também a atendimento, vendas, posicionamento e gestão.”

Com o tempo, ensinar ganhou importância dentro de sua carreira.

“A partir disso, ensinar passou a fazer parte da minha missão profissional.”

E aqui existe uma visão sobre ensino que merece espaço nesta matéria:

“Formar um tatuador não é simplesmente ensinar alguém a tatuar. É ajudar aquela pessoa a enxergar que existe uma profissão possível e sustentável por trás da arte.”

Para quem acompanha a evolução da tatuagem brasileira, é muito importante ver profissionais falando também sobre carreira, gestão e sustentabilidade.

Afinal, talento precisa encontrar condições para continuar existindo.

A mensagem de um aluno que muda tudo

Entre milhares de alunos, é natural que algumas histórias tenham ficado com Pedro.

Perguntamos quais mensagens realmente o emocionam.

“São muitas mensagens e, sinceramente, algumas ficam comigo.”

E não são necessariamente aquelas que elogiam sua técnica.

“As que mais me emocionam geralmente não são aquelas falando simplesmente que a tatuagem ficou bonita. São as pessoas que contam que conseguiram mudar de vida, começar a trabalhar profissionalmente, aumentar sua renda ou acreditar novamente na própria capacidade.”

Essa resposta nos tocou.

Porque quando falamos em formar milhares de alunos, é fácil transformar pessoas em número.

Quando Pedro fala de um aluno que conseguiu melhorar sua renda ou trabalhar profissionalmente, conseguimos enxergar melhor o tamanho desse alcance.

“Quando alguém diz que aquilo que aprendeu comigo ajudou a sustentar a própria família, por exemplo, você percebe que o impacto não terminou naquela aula.”

“Ele continuou na vida daquela pessoa.”

Isso merece ser celebrado.

O que foi para o Pedro conhecer a tatuagem fora do Brasil

A carreira também levou Pedro para outros países. Conhecer eventos e países novos.

“Viajar para trabalhar fora do Brasil me ensinou que a tatuagem é uma linguagem muito maior do que qualquer fronteira.”

Pedro encontrou profissionais com outras técnicas, culturas e formas de pensar.

“Você encontra profissionais com técnicas, culturas e formas de pensar completamente diferentes. Isso amplia muito a nossa visão.”

Mas existe uma parte interessante nessa experiência: viajar também fez com que ele enxergasse melhor o valor do trabalho construído aqui.

“Também aprendi que o brasileiro tem uma capacidade enorme de adaptação e criatividade. Estar em outros mercados me fez enxergar ainda mais valor naquilo que construí no Brasil.”

É muito bom ouvir isso de um artista brasileiro que teve a oportunidade de colocar seu trabalho diante de outros mercados.

Prêmios, eventos e o convite para ser jurado

Há também reconhecimentos que vieram do próprio meio da tatuagem.

Pedro conquistou prêmios em convenções e passou a ser convidado para julgar trabalhos de outros profissionais.

Ele fala desses convites com bastante respeito.

“Ser convidado para julgar trabalhos de outros profissionais é algo que considero muito significativo porque coloca você em uma posição diferente.”

A cadeira de jurado carrega responsabilidade.

“Você deixa de estar somente apresentando o próprio trabalho e passa a ser alguém cuja experiência é considerada relevante para avaliar o trabalho de outros artistas.”

Os prêmios também guardam momentos importantes de sua carreira.

“Os prêmios que conquistei em convenções também fazem parte dessa história. Cada reconhecimento representa um momento em que meu trabalho foi colocado à prova diante de outros profissionais e recebeu uma validação dentro do próprio mercado.”

Para nós do Tattoo2me, que acompanhamos há tantos anos convenções, artistas e movimentos dentro da tatuagem, sabemos o quanto o reconhecimento dos próprios profissionais tem um significado especial.

E é muito bom poder registrar essa parte da história de Clover também.

Tatuador também precisa saber construir uma profissão

Pedro defende uma visão bastante profissional sobre a tatuagem.

E isso não significa diminuir a arte. Significa criar condições para que o artista consiga viver dela.

“Acredito que ajudei principalmente a mostrar que tatuagem pode ser tratada como uma profissão completa.”

Durante muito tempo, muita gente resumiu o trabalho de um tatuador à capacidade de desenhar e executar.

Clover acredita em algo mais amplo.

“Existe uma visão antiga de que tatuador precisa apenas saber desenhar e tatuar. Hoje sabemos que um profissional precisa entender atendimento, experiência do cliente, posicionamento, vendas, gestão e construção de marca.”

É uma visão que conversa diretamente com sua própria história.

Pedro não permaneceu apenas como tatuador. Tornou-se professor e empresário, construiu marca e equipe e precisou aprender a administrar o crescimento que veio junto com a arte.

“Também procurei mostrar que é possível cobrar de acordo com o valor entregue e construir uma carreira profissional sem depender exclusivamente de volume de clientes.”

Por trás de poucas horas de trabalho existem muitos anos

Outro ponto pelo qual o trabalho de Clover ficou conhecido é a realização de grandes projetos com agilidade.

Mas Pedro faz questão de separar agilidade de pressa.

“Existe muito mais preparação do que as pessoas conseguem enxergar.”

Quando vemos um profissional experiente trabalhando, muitas vezes não conseguimos enxergar tudo o que aconteceu para que ele chegasse àquele nível de segurança.

“Quando um cliente vê algumas horas de tatuagem, ele não está vendo os anos de estudo, prática, planejamento, desenvolvimento de técnica e experiência que vieram antes.”

A frase seguinte explica bem a maneira como Pedro pensa seu método:

“Agilidade não significa pressa. Para mim, significa domínio.”

“Quanto mais você domina uma técnica, mais consegue tomar decisões com segurança e executar um projeto com qualidade e eficiência.”

Essa experiência não nasceu em uma sessão.

Foi acumulada tatuagem após tatuagem.

Se Clover precisasse escolher um trabalho que representa sua forma de enxergar a tatuagem

Perguntamos se existia uma tatuagem específica capaz de representar tudo aquilo em que acredita como artista.

Pedro preferiu não escolher uma.

Voltou às coberturas.

“Mais do que uma tatuagem específica, acredito que os projetos de cobertura representam muito aquilo em que acredito.”

Há uma razão bastante clara.

“Porque existe um desafio técnico enorme, mas também existe uma transformação.”

O artista recebe algo que o cliente já não quer carregar daquela maneira e precisa encontrar uma solução que funcione tecnicamente e que volte a fazer sentido para aquela pessoa.

“Você recebe algo que o cliente muitas vezes considera um problema e precisa transformar aquilo em algo que ele tenha orgulho de carregar.”

“Esse processo resume bastante a minha visão de tatuagem: transformar, evoluir e criar algo que faça sentido para a pessoa.”

Depois de ouvir Pedro falar durante toda esta entrevista sobre cobertura, entendemos ainda melhor por que esse trabalho ocupa um lugar tão especial em sua carreira.

Clover também precisou aprender a ser empresário

O crescimento trouxe outro desafio.

A carreira de Pedro deixou de envolver somente Pedro.

Vieram marca, equipe, processos e pessoas dependendo de suas decisões.

“Foi uma das maiores mudanças da minha carreira.”

No início, sua preocupação estava concentrada no próprio trabalho.

“No começo, eu precisava me preocupar apenas com o meu trabalho. Conforme o negócio cresceu, percebi que precisava aprender a liderar, contratar, delegar, criar processos, cuidar de clientes e tomar decisões que afetavam outras pessoas.”

A construção da Clover Tattoo também mudou sua percepção sobre marca.

“Construir a Clover Tattoo também me ensinou que uma marca não é apenas um nome ou um logotipo. É aquilo que as pessoas sentem quando entram em contato com o seu trabalho.”

Hoje, Pedro consegue enxergar o empreendedorismo dentro da mesma história que começou com a tatuagem.

“Hoje eu vejo o empreendedorismo como uma extensão da minha carreira artística.”

A parte que quase ninguém vê

Essa talvez tenha sido uma das perguntas que mais queríamos fazer.

Porque hoje é muito fácil entrar no @cloversilveira e encontrar viagens, trabalhos, conquistas e uma carreira consolidada.

Mas e o que aconteceu antes?

Qual parte ninguém viu?

Pedro respondeu:

“A parte difícil.”

E foi muito sincero ao falar sobre ela.

“As pessoas normalmente enxergam o resultado, mas não enxergam os dias em que eu precisei continuar mesmo quando as coisas não estavam acontecendo como eu queria.”

“Não enxergam as noites estudando, os erros, os investimentos, as decisões difíceis, os momentos de insegurança e toda a pressão de construir algo enquanto você ainda está tentando descobrir exatamente onde quer chegar.”

É importante colocar isso aqui.

Especialmente porque esta matéria também pode chegar a tatuadores que estão começando e que olham para profissionais consolidados sem conhecer tudo o que existiu antes daquele momento.

Pedro resume muito bem:

“A internet mostra muito o resultado. A carreira é construída principalmente nos bastidores.”

Os “nãos” que também fizeram parte dessa carreira

Não existe uma carreira longa sem escolhas.

Pedro precisou fazer as dele.

“Sim. Toda construção exige escolhas.”

Houve momentos em que foi necessário abrir mão de tempo e conforto e deixar passar oportunidades que pareciam interessantes naquele momento.

“Em determinados momentos precisei abrir mão de tempo, conforto e até de algumas oportunidades imediatas para investir em algo que eu acreditava que teria um retorno maior no futuro.”

E existe uma maturidade grande na forma como ele resume isso:

“Existe uma parte da carreira que ninguém vê: dizer ‘não’ para algumas coisas para conseguir dizer ‘sim’ para aquilo que realmente importa.”

O que ainda faz Clover querer mais?

Depois de tantos clientes, alunos, viagens e projetos, perguntamos o que ainda o motiva.

“O próximo nível.”

A resposta tem muito a ver com o artista que conhecemos nesta entrevista.

“Eu ainda sinto vontade de aprender, melhorar e provar para mim mesmo que posso fazer algo que ainda não fiz.”

Pedro também deixa claro que seus objetivos mudaram com o tempo.

“Hoje a motivação não é apenas atender mais clientes. É construir algo maior, alcançar novos mercados, ensinar mais pessoas e continuar elevando o nível do meu trabalho.”

“Acho que quando você realmente gosta do que faz, a conquista de ontem não pode ser o limite de amanhã.”

Que bom.

Porque ainda queremos acompanhar muita coisa dessa história.

Um conselho para quem está começando na tatuagem

Se existe alguém lendo esta matéria no começo da carreira, preste atenção nesta resposta.

Perguntamos qual seria o segredo para construir uma carreira sólida e respeitada.

Clover não vendeu fórmula.

“Eu diria para ele parar de procurar atalhos.”

Depois continuou:

“Estude muito. Aprenda a tatuar bem, mas também aprenda a atender, vender, se posicionar e administrar dinheiro.”

E falou sobre algo que não se compra e não se constrói de uma hora para outra.

Reputação.

“Você pode conseguir atenção rapidamente nas redes sociais, mas respeito profissional é construído ao longo dos anos.”

A última frase dessa resposta é daquelas que vale guardar:

“Faça um trabalho que você consiga defender daqui a dez anos.”

E o que faz Pedro olhar para trás e pensar “valeu a pena”?

Não foi fácil escolher.

Há muita coisa para colocar nessa conta.

“É difícil escolher uma única conquista.”

“Os prêmios, os convites para julgar eventos, os clientes que viajam para me encontrar, os alunos que conseguiram transformar a própria vida e a expansão da minha marca são partes importantes.”

Mas Pedro acabou chegando a uma resposta que nos parece muito coerente com tudo o que contou até aqui.

“Mas talvez o maior ‘valeu a pena’ seja olhar para trás e perceber que aquilo que começou como uma habilidade que eu queria desenvolver se transformou em uma carreira capaz de impactar outras pessoas.”

“Isso é muito maior do que uma tatuagem.”

É mesmo.

E ficamos felizes de poder registrar isso.

O legado que Clover gostaria de deixar

Quando pensa na tatuagem brasileira e nos profissionais que acompanham sua trajetória, Pedro sabe o que gostaria de representar.

“Quero ser lembrado como alguém que ajudou a elevar a tatuagem a outro nível profissional.”

E explica:

“Não apenas pela técnica, mas por mostrar que um tatuador pode construir uma empresa, formar outros profissionais, criar métodos, viajar, conquistar reconhecimento internacional e viver muito bem daquilo que faz.”

Há muitos tatuadores começando agora.

Alguns em estúdios pequenos. Outros tatuando em espaços improvisados. Alguns ainda tentando descobrir se realmente conseguem transformar essa paixão em profissão.

Pedro já esteve no começo também.

Por isso, gostamos especialmente da última parte dessa resposta:

“Se alguém olhar para a minha trajetória e pensar ‘eu também posso construir algo grande através da tatuagem’, então já terá valido a pena.”

Da garagem da casa da mãe para outros lugares do mundo

Para encerrar, pedimos uma mensagem para quem sonha viver de tatuagem.

E vamos deixar Pedro falar.

“Eu diria para levar esse sonho a sério.”

“A tatuagem pode transformar vidas, mas ela também exige compromisso, estudo, disciplina e profissionalismo.”

“Não basta querer viver de tatuagem. Você precisa se tornar o profissional que as pessoas querem contratar.”

E então ele voltou ao começo da própria história.

“Comece pequeno, mas pense grande. Aprenda todos os dias, trate cada cliente como uma oportunidade de construir sua reputação e não tenha medo de sonhar com mercados maiores.”

“Eu comecei fazendo o meu trabalho na garagem de casa da minha mãe. Hoje, poder levar esse trabalho para outros lugares do mundo me mostra que uma carreira construída com consistência realmente pode atravessar fronteiras.”

Foi um prazer, Clover

Tem uma coisa que continua sendo muito especial para nós no Tattoo2me, mesmo depois de tantos anos falando sobre tatuagem: conhecer a pessoa que está por trás dos trabalhos que admiramos.

Foi muito gostoso preparar esta entrevista e ir descobrindo aos poucos a história de Pedro.

Claro que queríamos falar sobre as coberturas. Queríamos entender os fechamentos, as viagens, os prêmios, os alunos e tudo aquilo que hoje faz parte do nome Clover.

Mas queríamos saber também do começo.

Dos erros, das noites estudando, das escolhas, do que precisou ficar para trás, da responsabilidade que ele sente quando alguém viaja para tatuar com ele e do que acontece quando um aluno diz que o conhecimento recebido ajudou a sustentar sua família.

É isso que faz uma história de artista ser tão rica para nós.

A tatuagem é o que nos trouxe até aqui, mas são as pessoas que fazem o Tattoo2me continuar querendo contar essas histórias.

Pedro construiu uma carreira enorme. E achamos bonito descobrir que, quando ele olha para tudo isso, ainda fala sobre estudar, melhorar, trabalhar e chegar ao próximo nível.

Também achamos bonito saber que, entre tantos projetos possíveis, são justamente as coberturas que representam tão bem o artista que ele acredita ser. Existe muita técnica ali, claro. Mas existe também alguém voltando a gostar de uma parte do próprio corpo.

Isso diz bastante sobre tatuagem.

E diz bastante sobre Clover.

Por isso, nosso agradecimento é muito sincero.

Pedro, obrigada por separar um tempo para conversar com o Tattoo2me e por contar sua história com tanta abertura. Obrigada por dividir as conquistas, mas também por falar sobre o caminho até elas. Foi um prazer conhecer melhor o artista, o professor e o empresário que existem por trás de Clover.

Que venham muitos trabalhos, muitos alunos, novos países e muitos capítulos para essa história.

Nós estaremos felizes em acompanhar.

Conheça mais do trabalho de Pedro Silveira, o Clover

Se você conheceu Clover através desta entrevista, não pare por aqui.

Vale entrar no perfil e olhar com calma os trabalhos do artista, principalmente seus projetos de cobertura de tatuagem e grandes fechamentos.

Você encontra Pedro no Instagram @cloversilveira.

Siga Pedro Silveira, o Clover, no Instagram e conheça mais do trabalho do artista.

E se você já conhecia o trabalho dele, aproveite para acompanhar o que vem pela frente.

Porque, depois dessa conversa, uma coisa ficou clara para nós: Clover ainda tem muita história para contar.

Obrigada pela entrevista, Clover. Foi uma alegria receber sua história no Tattoo2me.

Nicole Ognibeni
Nicole Ognibenihttps://tattoo2me.com
Jornalista apaixonada por novos sabores, tatuagens, viagens e animais. Vem pro meu mundo: @nicole.ognibeni / blog.tattoo2me.com

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