Cada traço importa: Conheça a artista Marina Kannenberg

Marina é especialista em Fineline e apaixonada por sua profissão. Confira nosso papo com a artista!

Entrevistamos a artista Marina Kannenberg e estamos encantados com seu amor pela tatuagem!

Mari vem de Marina, uma doce e talentosa artista que se encantou com a tatuagem e tornou este encanto sua principal atuação.

Especialista nas artes em linhas finas, Marina já foi advogada e também atuou na área da estética. Foi na maquiagem que a artista desenvolveu habilidades que carrega consigo até hoje, como o cuidado e atenção ao atender o público. 

Hoje, Marina se sente realizada em sua profissão.
O amor pela tatuagem está em todas as suas nuances, é notável o quanto ela se encontrou neste meio!

Para nossa sorte e felicidade, hoje temos uma artista incrível e com muita empatia levando arte para a vida das pessoas! 

De Rio Grande do Sul, para o mundo: Conheça agora a artista Marina Kannenberg! 

Artista Marina Kannenberg em seu estúdio

O começo na tatuagem:

Primeiramente, como foi que tudo começou na vida profissinal da Mari? Vamos descobrir!

Perguntamos quando ela decidiu se tornar tatuadora e como foi sua história com a arte: 

Marina: Minha história como tatuadora não é das mais tradicionais. Eu nunca me considerei uma pessoa muito “artística”.

Marina contou que costumava brincar quando era menor, que a parte artística da família tinha ficado com a sua irmã e que inclusive, convencia a mãe a fazer seus desenhos e maquetes para a escola por não gostar do resultado dos seus trabalhos:

Marina: Por causa de toda essa autocrítica, acabei não me permitindo uma intimidade maior com a arte na minha infância e adolescência. Tive autorização da minha mãe para fazer minha primeira tatuagem com 14 anos, e me apaixonei!
Me tatuei muito (palavras da minha mãe) e muitas vezes depois disso, mas nunca tinha imaginado que me tornaria tatuadora. 

Cursei Direito, me formei, advoguei por quase dois anos, e “larguei a carreira” porque sentia que aquele não era meu lugar. Voltei pra faculdade, e cursei Estética e Cosmética (um curso que eu havia considerado quando nova), e ali descobri uma Marina diferente.

“A Estética foi super importante pra mim porque foi nesse momento que me desfiz de muitas travas e medos, principalmente com relação ao atendimento ao público.”

Marina Kannenberg

Marina: Uma das minhas primeiras atividades na estética, foi a maquiagem. Atendia as meninas em casa mesmo, nos horários que eu não estava estudando. E hoje honro e agradeço por ter tido essa oportunidade, porque vejo que foi ali que comecei a desenvolver habilidades que acabaram me direcionando para o que eu faço hoje!

Enfim, logo depois de me formar na estética comecei a namorar o meu atual noivo, o Frantz, e desde quase sempre meu tatuador, hehehe.
Ele sabia das minhas buscas por encontrar algo para me dedicar que eu fosse apaixonada. A mesma paixão que eu via nele enquanto ele fazia cada uma das minhas tattoos.
E por mais que eu adorasse a estética, eu sentia que ainda não era ali o meu lugar

Eu sentia que eu “tinha mais pra entregar”.

E foi numa noite logo após o início da pandemia, que o Frantz notou eu me questionando sobre minha falta de entusiasmo e então me convenceu de que eu precisava experimentar tatuar pelo menos uma vez antes de descartar a possibilidade. E foi graças a fé e insistência dele que fomos pro estúdio. 

Marina em seu estúdio
Marina compartilhou com a gente como foi esse início de carreira e fala também da paciência do noivo Frantz, que gentilmente explicou e a orientou nesta experiência: 

Marina: Nossa, fiz um ’95’ em números góticos do tamanho de uma moeda, e demorei mais de três horas e meia.
Ele aguentou, me explicou tudo, me incentivou e naquela noite ele abriu um novo horizonte mágico pra mim. Faço questão de contar isso pra todo mundo!

“Eu me apaixonei, de novo, pela tatuagem naquele momento e trilhei meu caminho a partir dali. Mas se eu não tivesse tido um parceiro como ele, talvez eu nunca tivesse me descoberto, até porque muitos dos melhores sonhos que eu vivo hoje, naquela época eu não seria nem capaz de vislumbrar.”

Marina Kannenberg

Ou seja, é nítido o quanto esse incentivo foi crucial na carreira da Marina, né? Ter tanto apoio foi um divisor de águas em sua vida, e ela conta mais sobre a importância de receber este encorajamento:

Marina: Sou muito grata ao Frantz em toda minha trajetória como tatuadora, porque além do pontapé inicial foi com a ajuda, apoio e paciência dele que superei muitos dos desafios de quem está começando a tatuar.

“Ter a ajuda e principalmente a compreensão dele em muitos momentos foi decisivo. Porque quando a gente conversava, e ele dizia “eu sei o que tu tá sentindo”, ele, literalmente, sabia mesmo.”

Marina Kannenberg

Coragem para continuar

Marina: Como eu disse no início, sempre sofri muito com autocobrança e claro que na tatuagem não foi diferente, desde o começo senti a responsabilidade que é realizar algo permanente na pele de outra pessoa e isso acabou desencadeando crises de ansiedade significativas em mim. Ele esteve ao meu lado o tempo todo. Até hoje me dedico em terapia a lidar com esse aspecto da minha personalidade pra não deixar que isso me “domine”.

Além dele, minha mãe, meu padrasto e minha irmã, que no momento que eu mandei a foto da primeira tattoo que fiz, criaram no nosso grupo da família a hashtag “#somostimemaggytatuadora” (Maggy é meu apelido em casa).

Acho que foi a última pitada de coragem que eu precisava, porque, de novo, abandonaria mais uma carreira e me arriscaria em outra, em uma cidade pequena.

Qual foi o momento mais marcante na história da sua carreira até hoje?

Marina: Eu vivi momentos incríveis nesse pouco tempo que eu atuo como tatuadora, é bem difícil mesmo escolher um.

A primeira tatuagem que fiz no Frantz acho que seria uma delas, porque foi de fato a primeira vez que encostei a mão em uma máquina de tattoo.

Meu primeiro atendimento também, eu achei que ia morrer, escolhi tatuar minha melhor amiga e ela foi incrível. A primeira cliente que veio de fora da cidade, veio da Capital para o interior hehehe, (percorreu cerca de 250km no dia) pra tatuar comigo. 

Já chorei em vários atendimentos com as clientes também porque realmente me emociono junto com elas. 

E tive diversos atendimentos que foram realmente emocionantes, como o dia da ação que eu propus para o pessoal da casa de apoio às mulheres com câncer de mama da nossa cidade. Ofereci fazer em outubro uma data especial para atendermos mulheres que venceram essa batalha.

Fechamos um dia na nossa agenda e eles convidaram todas as usuárias que já podiam tatuar. Foi incrível tatuar aquelas “senhorinhas” (tem vídeo no instagram @mari.k.ink). 

Ali senti que conseguimos aproximar mulheres, que eu arrisco dizer que nunca iriam buscar um estúdio de tatuagem, mas se sentiram tocadas e encorajadas pela nossa atitude.

E hoje em dia eu acho que é basicamente isso que mais me motiva, eu realmente me dedico a aproximar cada vez mais pessoas dessa forma de arte que eu acho tão linda em tantos aspectos. 

“Eu não quero que as pessoas deixem de fazer tatuagem por acharem que elas “não vão se encaixar” num estúdio de tatuagem.”

Marina Kannenberg

Outro momento incrível foi ter feito meu primeiro Guest!

Não guest de fato, porque me larguei sozinha na Capital no meu primeiro ano de tattoo e lotei a agenda com 20 meninas que tinham conhecido meu trabalho através do instagram e relataram que mesmo numa cidade tão grande não encontraram ninguém com meu traço.
Ali foi uma super injeção de ânimo pra mim.

Cada traço importa

Conte mais sobre a frase principal do seu perfil: Cada Traço Importa.

Marina: Eu sempre fui muito apaixonada por tatuagem e quando me tornei tatuadora eu quis dedicar meu máximo para multiplicar esse sentimento por onde eu passasse e para todos que me procurassem para realizar uma tatuagem. 

Eu não queria ser a “fonte de trauma” de ninguém. Eu sempre tive experiências bem bacanas quando ia me tatuar, afinal eu escolhia bons profissionais. Mas foi ao me dar conta que não é sempre assim com todo mundo que entra em um estúdio de tatuagem, que percebi a necessidade de me dedicar para remover esses “traumas” e preconceitos que as pessoas têm hoje.

Medos e dúvidas foram formados por experiências passadas negativas ou por relatos de outras pessoas que não tiveram um momento legal enquanto tatuavam.

 A tattoo entrou na minha vida em um momento em que realmente tinha passado a acreditar que aquela história de “trabalhar com algo que ama” não seria pra mim, que isso talvez nem existisse. 

Eu já tinha passado por algumas carreiras e aquela tal sensação de pertencimento ainda não tinha acontecido comigo e foi com a tatuagem que isso mudou totalmente.

“Realmente todos os processos que envolvem cada etapa da tatuagem me encantam e eu amo dar minha alma pra isso.”

Marina Kannenberg

Toda essa paixão é traduzida em traços em cada um dos seus trabalhos:

É nítido ver como a Mari se dedica em tudo que faz, para entregar um trabalho e atendimento exclusivo para cada cliente.

Eu exergo, com meu amor, carinho em cada sessão, minha atenção, meu respeito e acolhimento, que sempre foram traços meus, eu entregava para as clientes muito mais do que uma tatuagem perfeita ou não.

“Acho que por causa dessa sensibilidade de acreditar que às vezes a tatuagem não tem um significado propriamente dito, mas que o próprio momento é o significado por si só, que fui me aproximando cada vez mais de um público que sentia esse anseio mas não encontrava profissionais dispostos a se entregarem dessa forma.”

Marina Kannenberg

“Eu quero que a pessoa tenha a sensação de alegria toda vez que ela ver a tattoo e recordar tudo que ela envolveu.”

Marina: O tamanho da tatuagem não pode ser parâmetro para definir a sua importância, por isso que cada traço sempre vai importar pra mim. Poucos tracinhos produzem uma marca eterna, na pele e na memória de quem me procurou.

Tem alguma curiosidade em sua vida que quando você conta as pessoas se surpreendem?

Marina: Acho que a questão de eu ter feito duas faculdades (quase três porque eu fazia Biomedicina junto com a estética para aproveitar o currículo). Quando eu conto isso para as minhas clientes elas geralmente levam um susto!

E da mesma forma, quando eu conto que sou madrasta da Lily. Vira e mexe compartilho momentos da nossa vida no instagram, porque vivemos em regime de guarda compartilhada (2-2 dias com a mãe), e a maioria das minhas clientes se impressionam com a nossa relação quando descobrem que não sou a mãe dela. Temos uma ligação muito forte e quem assiste isso mais de pertinho sempre fica confuso quando descobre que sou a “boadrasta”.

Estilos e Processo Criativo

Os temas que você mais executa são: Fineline, botânica com linhas finas, retratos com linhas finas, sempre foi assim?

Marina: Eu sinto que minhas experiências anteriores, falando principalmente da estética, me guiaram para esse caminho.

Os atendimentos de estética na faculdade foram importantes pra eu perceber essa necessidade de acolhimento que muitas mulheres sentem. As nossas aulas práticas eram demais! O momento da unha, da sobrancelha, geralmente acaba virando uma sessão de terapia. E na tattoo não é diferente!

Então por sentir isso e por estar disposta a fazer esse atendimento mais pessoal no ramo da tattoo, acabei me aproximando mais do público feminino, que por si só já é um público que tende a ir mais para o lado da #tatuagemdelicada (hihi).

 Marina fala com gratidão de suas clientes que inclusive fizeram muito boca a boca sobre seu tipo de atendimento cuidadoso e respeitando a escolha de cada uma! E suas experiências anteriores, contribuíram muito para a profissional que ela é hoje: 

Marina: O período da maquiagem serviu para desenvolver a leveza da mão, que no início eu achava que seria uma dificuldade para me tornar tatuadora e acabou virando uma benção! Fazer traço grosso não é comigo e eu já entendi isso…então o caminho foi se formando de forma natural.

A escolha por trabalhos dentro dessas linhas também foi uma forma de respeitar as clientes. Eu não quis abraçar trabalhos em outros estilos tão no início da minha jornada.
Eu nunca fiquei à vontade para aceitar um trabalho que eu não sentisse que tivesse o mínimo de capacidade de entregar um resultado bacana.

“Acho que nós tatuadores precisamos acima de tudo ter humildade para admitir quando algo está além das nossas capacidades, porque a gente não está fazendo algo que a pessoa pode lavar depois e a gente trabalha com expectativas.”

Marina Kannenberg

Como você descreve o seu processo criativo e atendimento com os clientes?

Marina: Eu sou realmente apaixonada por essa profissão, então eu sinto muito prazer e não abro mão de participar de todos os momentos, desde a solicitação do orçamento.

Atualmente eu tenho auxílio para responder as mensagens, mas mesmo assim, os orçamentos passam por mim, eu que estudo cada valor, leio as solicitações e desde esse momento eu já começo a formar algumas possíveis versões da tattoo na minha cabeça.

Uns dias antes da sessão, me sento e junto essas ideias todas para criar os esboços e apresentar para a cliente. Eu nao mando desenho antes. Deixo para mostrar para a cliente na sessão. Eu gosto de ver nos olhos delas se acertamos o caminho ou se precisamos ajustar para que ela se identifique mais.

Mesmo em desenhos pequenos eu me dedico pra trazer significados e justificativas para escolha dos elementos. Eu brinco que meus desenhos geralmente contam “historinhas” e eu mesma gosto de apresentar isso olho a olho para elas. 

“Não foi uma nem duas vezes que me emocionei ao explicar os sentimentos que estavam por trás daquela arte e as clientes caírem no choro junto comigo. Eu vejo o brilho nos olhos delas quando eu explico algum detalhe e aquilo faz total sentido pra elas. Eu adoro e honro muito esse momento.”

Marina Kannenberg
Arte de Marina Kannenberg

Marina: Vou sentindo e respeitando o tempo de cada uma, seus estilos e a chance de fazermos uma tattoo que ela se identifique para o resto da vida. Me dedico ao máximo para minimizar as chances delas se arrependerem futuramente.

Atendo muitas mulheres, não são raros os relatos de experiências traumáticas com tatuagens anteriores, principalmente neste aspecto relacionado a paciência no momento de definição de desenho, tamanho e posição. Muitas, anteriormente, se sentiram pressionadas, e é exatamente isso que faço questão de deixar bem claro que não vai acontecer na nossa sessão.

“Eu quero que cada cliente que sair do meu estúdio saia com a mesma paixão pela tatuagem que eu sinto. Que elas sejam “testemunhas do bem da tattoo” pra gente espalhar cada vez mais essa forma tão incrível de eternizar sentimentos e de afirmar a nossa identidade.”

Marina Kannenberg

A alegria de viver fazendo o que ama está em cada frase dita pela Mari! Quer ver?

Pedimos para ela descrever como é um dia perfeito no trabalho: 

Marina: Todos os meus dias agora no estúdio novo! A boba apaixonada, mas é real!
Depois de perrengues, crises e de algum período de busca por “auto entendimento” (porque conhecimento total ainda está longe), eu me encontro exatamente no lugar que eu desejo estar.

Nada do que vivo hoje eu poderia sonhar a dois anos atrás. Eu me encontrei.
Essa sensação de realização cada vez que abro a porta para uma cliente porque sei que de alguma forma, algo do que fiz, que dediquei minha energia e alma, tocou ela e ela se identificou comigo, isso é mágico.

Mesmo naquele dia que uma dorzinha me incomoda, ou outra coisa assim, eu não tenho a coragem de me sentir no direito de reclamar. Mesmo quando me sinto cansada, sobrecarregada, estou num lugar incrível, confortável,que me acolhe, como eu não vou sentir gratidão? Todos os dias são perfeitos.

Você tem rotina de estudo? O que você tem estudado dentro ou fora da tattoo?

Marina: Esse já foi um motivo de sofrimento e auto punição – Risos –  confesso que por muito tempo achava que eu era muito relapsa com relação a estudos, ficava envergonhada. Mas de novo, a “juíza Marina” é sempre muito crítica com ela. Devagar fui entendendo que eu estudava sim, porém de outras formas. Não existe certo e errado né, existe o que nos faz evoluir ou não.

Como eu tatuo há dois anos, sentia que precisava me dedicar em melhorar meu traço antes de querer me especializar em um estilo específico.

Me dediquei a desenhar a mão, coisa que nunca tinha feito até então, e descobri que eu não sou tão péssima quanto achava que seria. Além disso, me dediquei a absorver todas as informações e dicas que outros tatuadores pudessem me trazer. Fiz isso acompanhando principalmente artistas dedicados em tattoos fineline no Instagram, a cada storie que aparecia pra mim eu olhava tudo, bem stalker mesmo! Reels de processos sempre me ajudaram muito.

Algumas coisas eu conseguia perceber sozinha e muitas perguntei e tive sempre o retorno muito bacana dos colegas.

Não descansei enquanto não senti que estava com meu equipamento e material de acordo com o meu tipo de “pegada”. Me dediquei a olhar pras minhas dificuldades e buscar mecanismos para evoluir, sinto que já fiz um caminho bem legal mas ainda tenho muito pra desenvolver ainda.

Mais um pouco do estúdio da Marina para vocês verem como ela caprichou neste lindo espaço:

Artista Marina Kannenberg

Quais Instagrams você segue e indica?

Marina: Embora eu sempre tenha sido apaixonada por tattoo e tem tatuadores que eu siga desde muito antes de começar a tatuar, quando passei a atender senti necessidade de acompanhar mais tatuadores de tattoos delicadas.

Renan Sampaio, Betinarte, Tatiana Alves, Cynthia Tattoo, Fernandaink, Alan Hartt, Milton Reis, Diego Augusto, Carlos Freua. E uma galera de fora, que o algoritmo vai me mostrando. Coreanos, uma galera tcheca, russa, um pouco de tudo, mas sempre algo delicado, ornamental.

É claro que por trás de uma artista incrível como a Marina, existe uma pessoa física com gostos, hobbies e particularidades. 

Será que conseguimos saber algum segredo da artista? 

Ela nos disse que não tem nada de muito secreto em sua vida e brincou: "ah tá, a moça do 'minha vida é um livro aberto" - Risos. Vamos descobrir agora: 

Você tem algum talento ou hobbie secreto?

Marina: Em cidade pequena não tem como ser muito diferente né @socorrodeus.

Acho que um hobbie “secreto” seria passar horas procurando cabanas isoladinhas pertinho da nossa cidade. Acaba que não é tão secreto porque depois a gente vai e posta Hahahaha.

Isso é algo que muitos clientes falam que adoram em mim e no Frantz. A gente faz essas viagens curtinhas sempre para alguma cabaninha, em um lugar perto da natureza, indo em um dia e voltando no outro, porque é assim que conseguimos por causa do regime de guarda com a Lily (não abrimos mão de nenhum segundo com ela, e isso não é só o Frantz, somos os dois, minhas clientes sabem “dia de Lily” é sagrado..hihihi).

Marina:  Geralmente esses rolês ainda fazemos de carro antigo (velho não porque a gente leva pro coração). Temos uma rural, a um pouco mais de um ano e já fizemos alguns quilômetros com ela! Antes era um fusca. Então geralmente são passeios sem muito luxo, mas com muita diversão e amor.

O rolê dos carros antigos e moto é nosso principal hobbie.

Nossa cidade é rodeada por paisagens muito bonitas, e agora eu tenho um parceiro que valoriza isso tudo junto comigo. Mesmo quando a gente não consegue tempo ou verba para uma viagem mais elaborada, a gente sai de carro sem rumo por aqui pertinho e encontra uma estradinha de terra para vermos onde vai parar. 

Já encontramos tantos lugares que parecem saídos de livros. Até a Lily já aprendeu a amar esse tipo de passeio, ela pede pra gente parar e descer pra ver a vista quando ela está junto.

Essa é uma das bênçãos que a tattoo me permite viver. Eu e o Frantz atendemos lado a lado. Muitas vezes, durante a semana, em uma hora eu estou na minha maca tatuando, e depois me vejo quase que “teletransportada” para um filme, mergulhando os pés em algum riozinho de água cristalina que a gente achou acidentalmente.

Se isso não é motivo pra agradecer e trabalhar feliz eu não sei o que é!

Marina Kannenberg em seu estúdio

Existe um presente que você gostaria de dar ou ganhar?

Marina: Mais cedo ou mais tarde, recebo tudo que eu preciso, então por mais que possa parecer clichezão, eu não acho que tenha nada que eu gostaria de ganhar. Não materialmente falando.

Quem inspira você na tatuagem?

Marina: São diversos artistas que me inspiram. Mas acho que o primeiro artista que serviu como exemplo para eu definir minha forma de trabalho, foi o Frantz.

Eu conheci ele anos antes de começarmos a namorar, e foi quando comecei a fazer minhas tattoos com ele que comecei a curtir todo o rolê por trás da tattoo. 

A busca de referências, a troca de ideias, a formação da arte, até a demora nas respostas das mensagens eram parte da emoção.E depois, quando a gente já namorava, que passei a acompanhar de perto a rotina dele do estúdio, a forma como ele se dedicava ao máximo pra fazer cada cliente se sentir à vontade, foi inspirador.

Confesso que dei meus toques e fui um pouquinho além no quesito “mimar” clientes, mas eu juro que faço porque gosto. Eu amo ver a carinha delas quando recebem meus mimos…

Por algum tempo eu me baseava muito no que outros artistas estavam fazendo, e de novo, isso acabava por me trazer muitas ansiedades e inseguranças. Ficava me comparando o tempo inteiro. 

“Entendi que cada um só pode entregar aquilo que traz consigo e resolvi seguir meu coração e não padrões estabelecidos pelos outros, ou pela minha juíza mental cruel. Todos os dias entrego o melhor de mim e isso tem me trazido paz.”

Marina Kannenberg

Quais são as tatuagens que mais procuram você para fazer?

Marina: Homenagens e ah, como eu amo!

Cite 3 coisas que você ainda quer realizar no seu trabalho, 3 desejos:

Marina: Desejo ter cada vez mais consolidada a minha forma de trabalhar para que cada vez mais os clientes entendam (e respeitem) isso.

Desejo que cada vez mais profissionais da área escolham trabalhar de uma forma semelhante a minha para que a gente realmente espalhe esse “esse ‘vírus’ da tattoo (porque contagia mesmo, risos) de uma forma positiva”

E algo menos subjetivo, desejo futuramente poder fazer uma temporada de atendimentos no exterior (a Lily é muito pitoca ainda). Juntar a paixão da tattoo com a paixão por descobrir lugares diferentes, vai ser incrível!

Qual seu mantra ou algo que você sempre fala?

Marina: Que a gente sempre tem motivo pra agradecer. Independentemente do dia, do que tenha acontecido, a gente sempre tem algo para agradecer. E acho que esse talvez, seria um presente que eu gostaria de dar pra todo mundo. Que todo mundo conseguisse DE FATO sentir o que essa frase significa.

Eu sempre me considerei uma pessoa grata, mas tenho que ser honesta e admitir que não faz tanto tempo que passei a realmente entender e sentir o que isso significa.

Digo com todo meu coração. Foi transformador.

Desejo que todo mundo possa passar a sentir isso.
A vida realmente fica melhor. Mais leve!

Quais seus planos para o futuro?

Marina: Continuar tatuando com o coração.

Continuar aprendendo. Continuar a absorver tudo que essa vida permite.

Marina Kannenberg

Onde podemos encontrar mais sobre seu trabalho?
No Instagram! Siga e acompanhe:

https://www.instagram.com/mari.k.ink/

Por fim, queremos dizer que ficamos muito contentes e ainda mais apaixonados em conhecer profundamente a trajetória da Mari. 

Aprendemos sobre escuta, afeto e atenção. E que ser grato é sempre mais importante, independente da situação. 

Mari, muito obrigada por essa entrevista! Voe alto! 

E se você gostou da matéria e curtiu o trabalho da Marina, continue acompanhando a artista nas redes sociais!

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