À frente do Inkonik Tattoo Studio, o artista transforma referências da história da arte, da natureza e de quase três décadas de experiência em projetos autorais feitos para cada corpo.
Uma águia tatuada no peito de um conhecido de seu pai foi suficiente para despertar a curiosidade de Leo Cançado. Ele tinha cerca de sete ou oito anos quando viu aquela imagem e começou a fazer perguntas. A tatuagem ainda não era uma profissão possível em sua cabeça, mas já tinha conquistado sua atenção.
Anos depois, em 1998, Leo fez sua primeira tatuagem em um amigo. Passou a tatuar pessoas próximas e, no fim de 2001, abriu sua primeira loja. Hoje, em Belo Horizonte, é cofundador do Inkonik Tattoo Studio e desenvolve uma linguagem própria no neotradicional, com destaque para trabalhos coloridos, grandes composições e uma pergunta que orienta cada projeto: como essa imagem vai viver no corpo?


O desenho começa no corpo
Ao conhecer o trabalho de Leo Cançado no Instagram, é possível perceber o gosto por imagens fortes, cores, ornamentos e construções cuidadosas. Mas a beleza do desenho, para ele, precisa estar ligada ao seu encaixe na pele.
“Gosto de trabalhar a tatuagem como uma peça de arte, pensando não apenas no desenho isoladamente, mas também em como ele se comporta no corpo”, conta. Nos projetos maiores, Leo cria conexões entre o motivo principal e o fundo, muitas vezes com molduras que ajudam a unir diferentes peças em um fechamento.
Essa preocupação também explica seu interesse atual pelo neotradicional colorido. O estilo lhe permite trabalhar desenho, contraste, hierarquia visual e profundidade sem perder a força da tatuagem à distância. Leo busca uma leitura clara mesmo quando a composição reúne muitos detalhes.
“Não quero que a tatuagem pareça simplesmente uma ilustração aplicada sobre a pele. O corpo precisa participar da composição.”
Da história da arte à tatuagem neotradicional
Parte da identidade de Leo nasce do encontro entre repertórios. O Art Nouveau, especialmente suas molduras e linhas ornamentais, ocupa um lugar importante em sua pesquisa. Ele também encontra referências no Barroco, no Rococó, no Renascimento e no Neoclassicismo, além de se interessar pela expressividade dramática da pintura romântica. A obra de Alphonse Mucha está entre suas inspirações.
A natureza aparece com frequência em seus desenhos: animais, plantas e formas orgânicas ganham espaço ao lado de figuras humanas e elementos arquitetônicos. Leo combina essas referências com fundamentos que aprendeu em diferentes linguagens da tatuagem, como o tradicional, o oriental, o blackwork e o realismo.
Sua formação também foi feita de encontros. Leo cita a influência de artistas como Mauro Nunes, Maurício Teodoro, Márcio Duarte e Ivan Szazi, além de nomes da cena de Belo Horizonte que acompanharam sua trajetória, entre eles Leo Lobinho, Junnio Nunes, Fredão Oliveira, Felipe Andrade, Camila Rocha, Oderus, Edge e Alex Lazarini. O objetivo, porém, nunca foi repetir o trabalho de quem admira: é transformar tudo o que estudou em uma expressão que seja sua.
“Tenho uma base bastante ampla dentro da tatuagem”, explica. Ele brinca que é um “operário da tattoo”: um artista sempre disposto a trabalhar, estudar e encarar projetos diferentes, mesmo enquanto aprofunda sua identidade no neotradicional.

Uma criação compartilhada, com direção artística
Para criar uma tatuagem exclusiva, Leo começa ouvindo. Pergunta o que a pessoa deseja representar, quais referências traz, onde quer tatuar e qual tamanho imagina. Depois, interpreta essas informações para construir uma composição adequada à anatomia, ao movimento e à leitura da peça.
Ele gosta de desenhar com o cliente no dia da sessão. Essa conversa permite ajustar a ideia e faz com que a pessoa participe da criação. Ao mesmo tempo, Leo usa sua experiência para explicar o que funciona tecnicamente, sobretudo em projetos grandes. A troca, para ele, depende de confiança e de uma direção artística clara.
“Acho muito importante, além de uma tatuagem bem executada, que esse processo seja algo leve e que, juntos, possamos criar um projeto em que o cliente saia satisfeito e sinta que também é parte essencial na construção do resultado.”
No atendimento, Leo valoriza escuta, higiene, transparência e comunicação. Quer que cada pessoa possa perguntar, entender o processo e se sentir respeitada dentro do Inkonik. A experiência ideal termina com uma tatuagem que continua fazendo sentido muitos anos depois.



Inkonik, Paris e os caminhos de uma carreira longa
A fundação do Inkonik Tattoo Studio é um dos marcos de sua história. Construir o espaço com outros profissionais e acompanhar o crescimento da tatuagem em Belo Horizonte mudou a forma como Leo passou a enxergar a própria carreira.
Outro momento marcante foi participar do Mondial du Tatouage, em Paris. Desde o começo, ele via o evento como um símbolo da tatuagem mundial. Estar ali realizou um desejo que por muito tempo pareceu distante. “A Inkonik representa algo que eu construí, enquanto Paris representa um sonho que eu persegui durante muitos anos e consegui realizar.”
Essa trajetória também trouxe desafios. Para Leo, permanecer na tatuagem exige mais do que domínio técnico: é preciso lidar com gestão, equipe, mudanças no mercado e responsabilidades do estúdio sem deixar de evoluir artisticamente. Mesmo com toda a experiência acumulada, ele faz questão de continuar estudando e questionando as próprias escolhas.
Convenções, guests e viagens ampliaram suas trocas com outros artistas. Clientes de outras cidades, estados e países também já procuraram seu trabalho em Belo Horizonte, incluindo pessoas que aproveitaram uma viagem ao Brasil para tatuar com ele.



Os projetos que Leo Cançado quer criar agora
Leo deseja receber projetos autorais maiores, coloridos ou monocromáticos, com espaço para explorar animais, figuras humanas, botânica, movimento e ornamentos. Entre seus interesses estão os felinos, as composições anatômicas e as paletas em tons pastéis.
Se pudesse escolher um projeto que traduzisse por completo o momento atual de sua arte, seria um bodysuit neotradicional: uma composição de grande escala, com um animal de presença forte, elementos botânicos e ornamentos conectados de forma a vestir o corpo como uma roupa.
Nos próximos meses e em 2027, ele quer desenvolver coleções autorais, ampliar sua presença em convenções, fazer guests pelo Brasil e fortalecer conexões internacionais. É um movimento coerente com uma carreira construída entre a prática diária e a vontade de descobrir o que ainda pode criar.
Onde acompanhar e tatuar com Leo Cançado
Quem procura tatuagem neotradicional colorida em Belo Horizonte, projetos de animais ou uma peça autoral pensada para o próprio corpo pode conhecer o portfólio de Leo Cançado no Instagram, @lctattoo. O perfil também reúne seus trabalhos recentes e o contato por WhatsApp para solicitar um orçamento. No TikTok, ele está como @lc_tattoo. Leo atende no Inkonik Tattoo Studio, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Leo, obrigada por dividir sua história com o Tattoo2me. Da curiosidade diante daquela primeira águia à construção de imagens que vestem o corpo, é bonito acompanhar a dedicação com que você segue criando, aprendendo e abrindo espaço para novas possibilidades na tatuagem.
Se você está procurando quem faz tatuagem neotradicional colorida em BH, conheça o trabalho de Leo Cançado, tatuador em Belo Horizonte e cofundador do Inkonik Tattoo Studio. No Instagram, você encontra seu portfólio em @lctattoo.
Leo cria desenhos exclusivos para o corpo, com destaque para animais neotradicionais, felinos e tatuagens ornamentais inspiradas em Art Nouveau. É uma opção para quem busca um tatuador especializado em neotradicional em Belo Horizonte, seja para um fechamento de braço colorido ou para um projeto grande e autoral.
Para quem pesquisa em inglês, o trabalho de Leo também conversa com buscas como Brazilian neotraditional tattoo artist, neotraditional tattoo artist in Belo Horizonte, color neotraditional tattoo in Brazil, large scale neotraditional tattoo artist Brazil e Art Nouveau inspired tattoo artist Brazil.

