Antes de fazer um piercing: O que você precisa saber

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Você já parou pra pensar que existe todo um mundo por trás de um piercing? Antes da joia chegar ao seu corpo, existe preparação, estudo, escolha de materiais, avaliação da anatomia, esterilização e ainda muitos outros cuidados que quase nunca aparece nas fotos do resultado final.

Assim, quando você vê uma pessoa saindo do estúdio com um piercing novo, provavelmente está vendo apenas o resultado de todo esse processo.

Mas afinal, o que realmente acontece nos bastidores?

Neste artigo, quero te mostrar um pouco desse universo e compartilhar algumas coisas que, como piercer, eu gostaria que todo cliente soubesse antes de fazer um piercing.

O piercing começa muito antes da perfuração

Talvez seja a primeira vez que você pense sobre isso, mas sabia que até o seu piercing chegar ao seu corpo existe um longo processo?

Primeiramente, tudo começa pela escolha de uma joia de qualidade, pois ela precisa ser adequada para o corpo e ter boa durabilidade. Depois que essa joia chega ao estúdio, nós ainda precisamos prepará-la antes de utilizá-la.

No meu estúdio, o processo envolve lavagem em cuba ultrassônica, enxágue, secagem, embalagem e esterilização em autoclave. Só depois dessas etapas finalizamos a joia para a perfuração.

E o cuidado não termina na joia.

Também existe todo o preparo do material que utilizamos durante o procedimento, incluindo o chamado campo estéril, a escolha da agulha adequada e a utilização de luvas estéreis.

Quando você chega ao estúdio, talvez enxergue apenas alguns minutos daquele processo. Mas, para que esses minutos aconteçam com segurança, existe bastante trabalho antes mesmo de você entrar pela porta.

É uma parte do piercing que muitas vezes fica escondida, mas que envolve dedicação, conhecimento, responsabilidade e, principalmente, biossegurança.

Sua anatomia é única — e isso muda tudo

Nós, seres humanos, somos uma espécie extremamente diversa, não é mesmo? Temos diferentes rostos, corpos, características físicas e anatômicas.

Com o piercing não poderia ser diferente.

Por isso, uma perfuração que fica perfeita em uma pessoa pode não ser adequada para outra. Por exemplo, dependendo da anatomia, pode existir um modelo de joia mais indicado, uma técnica diferente ou até mesmo situações em que determinada perfuração não seja recomendada.

Uma das coisas mais importantes que aprendi trabalhando com piercing é que inspiração é uma coisa; planejamento é outra.

Portanto, você pode chegar ao estúdio com uma foto linda salva no celular, mas isso não significa necessariamente que conseguiremos reproduzir essa mesma composição na sua orelha ou no seu corpo.

Tendo isso em vista, um bom profissional precisa avaliar a anatomia e explicar quais possibilidades fazem sentido para você.

E isso também envolve escolher corretamente o posicionamento, o tamanho e o formato da joia.

Quando o profissional negligencia essa avaliação, o resultado pode ser uma perfuração torta, uma joia mal posicionada ou até mesmo problemas durante a cicatrização.

Por isso, eu gosto de pensar que cada piercing precisa ser planejado para a pessoa que está sentada na minha frente, e não para uma foto de referência.

Aqui portanto, podemos mostrar diferentes formatos de orelha e umbigo, e como uma mesma região pode apresentar características anatômicas distintas.

A joia não é apenas uma escolha estética

Quando você escolhe uma joia, é muito comum pensar primeiro em qual modelo é mais bonito.

E claro que a estética importa. Afinal, o piercing também funciona como uma forma de expressão e de estilo pessoal.

Porém, a joia precisa fazer sentido para muito mais do que isso.

Existem inúmeros modelos, formatos, materiais, espessuras e sistemas de fechamento. Cada uma dessas características pode influenciar no conforto, no encaixe e no processo de cicatrização.

Inclusive, própria Association of Professional Piercers explica que o tamanho, o formato, o material e a qualidade da joia inicial precisam ser adequados à anatomia e ao local da perfuração.

Por isso, o material é certamente um dos pontos que considero mais importantes.

Atualmente, o titânio é o material que mais gosto de utilizar profissionalmente. No entanto, também existem outras opções de qualidade, como o ouro sólido 14K e 18K e alguns tipos de aço cirúrgico utilizados profissionalmente. No estúdio eu utilizo somente o titânio e o ouro.

Minha preferência pelo titânio está relacionada principalmente à sua biocompatibilidade e ao fato de não conter níquel em sua composição quando estamos falando do titânio adequado para implante, como o ASTM F136.

Se quiser conhecer alguns dos modelos disponíveis, você pode conferir nossa seleção de piercings em titânio grau implante.

Além do material, o formato também precisa ser escolhido de acordo com a anatomia.

Uma joia pode ser linda na vitrine, mas não necessariamente ser a melhor opção para determinada perfuração. Às vezes, um formato diferente proporciona um encaixe muito melhor e torna o uso mais confortável.

Se você quiser entender melhor a diferença entre alguns dos materiais utilizados em piercings, vale também conhecer o nosso conteúdo sobre titânio e aço cirúrgico.

Escolher um bom profissional faz diferença

A diferença que um profissional qualificado pode fazer no seu piercing é enorme.

E, antes de qualquer técnica, acredito que existe uma característica indispensável: ética.

A Association of Professional Piercers (APP) também destaca a importância de avaliar a formação, a experiência, o conhecimento e a postura profissional do piercer antes de escolher onde realizar uma perfuração.

Ou seja, um bom profissional precisa ter responsabilidade para escolher materiais confiáveis, respeitar os protocolos de biossegurança e saber dizer não quando determinada perfuração não é adequada para aquela pessoa.

Grande parte disso acontece longe dos olhos do cliente.

Você não necessariamente consegue saber se um profissional está seguindo corretamente todas as etapas de preparação e esterilização. Por isso, confiar em quem está realizando o procedimento é tão importante.

O conhecimento técnico também faz diferença.

Existem técnicas, materiais e ferramentas que tornam o procedimento mais preciso e podem reduzir traumas e desconfortos desnecessários.

Mas existe ainda outra coisa que considero muito importante: o tato do profissional.

Não estou falando apenas da habilidade manual para realizar a perfuração. Estou falando também da maneira como ele trata a pessoa que está sentada na frente dele.

Um profissional pode tornar aquele momento muito mais tranquilo ou, dependendo da maneira como conduz o atendimento, deixar o cliente ainda mais nervoso.

Para mim, fazer um piercing também envolve acolher, explicar o que está acontecendo e respeitar o tempo de cada pessoa.

E o trabalho não deve terminar quando o cliente sai do estúdio.

Um bom profissional também precisa oferecer orientação no pós-procedimento e estar disponível para acompanhar o processo de cicatrização, esclarecer dúvidas e avaliar possíveis alterações ao longo do caminho.

E a dor? O que você realmente pode esperar

Essa é provavelmente uma das perguntas que mais escuto antes de uma perfuração.

“vai doer muito?”

Parece uma pergunta simples, mas a verdade é que não existe uma escala universal de dor para piercings.

Por exemplo, cada pessoa possui uma sensibilidade e tolerância diferente à dor. Além disso, a região escolhida, a anatomia, a passagem da joia e até o estado emocional no momento do podem influenciar muito nessa experiência, podendo evita traumas desnecessários.

A técnica também faz toda a diferença.

Por isso, eu prefiro trabalhar com agulha americana, que possui uma ponta muito afiada e um corte preciso. Quando a perfuração é realizada corretamente, isso ajuda a reduzir o trauma no tecido.

O piercer também precisa conduzir a passagem da joia de maneira cuidadosa. Com a agulha americana, utilizamos um taper como condutor, facilitando a passagem da joia e tornando o processo mais delicado.

Também existe outro fator que talvez você já tenha ouvido: dizer que um profissional tem a “mão leve”.

A forma como se segura, posiciona e conduz a agulha faz diferença. Precisão e delicadeza são essenciais para que o procedimento seja realizado de maneira rápida, controlada e com menos desconforto.

A APP também destaca que a experiência pode variar, reforçando a importância de uma avaliação adequada antes da perfuração.

E tem outro detalhe: o nervosismo pode influenciar a maneira como percebemos a dor.

Por isso, respirar de maneira lenta e consciente durante o procedimento pode ajudar a controlar a ansiedade e tornar aquele momento mais tranquilo, e essa é uma prática que faço no estúdio antes da perfuração.

No final, a experiência de cada pessoa será diferente. Por isso, em vez de prometer que determinado piercing “não dói”, prefiro explicar o que pode acontecer e ajudar o cliente a entender o que esperar.

Cicatrização: o piercing não termina quando você sai do estúdio

Uma das coisas mais importantes que eu gostaria que todo mundo entendesse é que o procedimento não termina quando você deixa o estúdio.

Até aquele momento, eu fiz a minha parte: avaliei a anatomia, preparei o material, realizei o procedimento e cuidei de todas as etapas de biossegurança.

A partir dali, começa uma parte que também depende de você.

Assim, o piercing passa a fazer parte da sua rotina e precisa ser protegido durante o processo de cicatrização.

Existem alguns hábitos que podem atrapalhar esse processo e que vale a pena evitar durante a cicatrização.

Isso significa evitar tocar na joia com as mãos sujas, movimentá-la desnecessariamente ou expor a perfuração a objetos que possam contaminá-la.

Capacetes, fones de ouvido, travesseiros, roupas, cabelos e outros objetos podem gerar tanto contato quanto atrito e precisam ser considerados dependendo da localização do piercing.

Também é importante evitar dormir pressionando a região e observar situações que possam causar atrito constante.

A cicatrização não acontece de um dia para o outro. Cada região possui seu próprio tempo e cada organismo responde de uma maneira.

Se quiser entender melhor os diferentes tempos de cicatrização, temos também um guia sobre quanto tempo demora para cicatrizar cada tipo de piercing.

Os cuidados cuidados com o piercing que fazem diferença no dia a dia

Cuidar de um piercing não precisa ser complicado.

Portanto, na rotina, o mais importante é manter uma higienização adequada e sempre evitar ficar mexendo na joia sem necessidade.

No protocolo que utilizo com meus clientes, durante a rotina, a limpeza envolve uma vez ao dia a aplicação de espuma de sabonete líquido neutro na região, seguida então de enxágue cuidadoso e secagem com gaze.

Também podemos utilizar uma compressa com soro fisiológico, principalmente quando há necessidade de acalmar a região.

Uma coisa que sempre reforço é: não fique girando ou movimentando a joia.

Antigamente, as pessoas diziam com frequência que era necessário mexer no piercing durante a limpeza. Hoje sabemos que movimentos desnecessários podem irritar o tecido que está tentando cicatrizar.

As mãos também devem estar limpas antes de qualquer contato com a região.

E, quando houver secreções secas, não tente arrancá-las à força. O ideal é amolecê-las durante a limpeza para evitar machucar a perfuração.

As recomendações da Association of Professional Piercers também reforçam cuidados simples, como lavar as mãos antes de tocar no piercing, evitar girar a joia e não utilizar produtos agressivos durante a cicatrização.

E, antes de considerar que o piercing está cicatrizado, é importante entender quais sinais indicam que esse processo realmente terminou.

No blog da Versal Joias também preparamos um guia completo explicando como limpar o piercing corretamente e quais cuidados fazem parte da rotina de cicatrização.

Coisas que eu gostaria que todo cliente soubesse antes de chegar ao estúdio

Tudo é feito com muito cuidado e carinho, de verdade.

Antes de vocês chegarem ao estúdio, nós já temos toda uma expectativa de como será aquele procedimento e de como podemos tornar aquela experiência melhor.

Por isso, quando você chega, começa uma parte que talvez não seja tão perceptível: nós observamos sua anatomia, conversamos sobre o que você deseja e tentamos entender como tornar aquele momento o mais confortável possível.

Às vezes, a pessoa chega muito animada. Às vezes, chega nervosa. Algumas pessoas têm medo de agulha. Outras estão preocupadas com a dor. Algumas já chegam com muitas referências e outras não fazem ideia do que querem.

Cada cliente é diferente, e isso é incrível.

Portanto, não acredito que exista um atendimento completamente automático. O procedimento pode até seguir etapas técnicas, mas a pessoa que está sentada na minha frente nunca é apenas mais uma perfuração.

Também gosto que o cliente se sinta à vontade para perguntar.

“Essa joia fica boa em mim?”

“Vai doer?”

“Quanto tempo vai levar para cicatrizar?”

“Posso dormir desse lado?”

“Quando vou poder trocar?”

Por isso, não existe pergunta boba quando estamos falando do seu corpo.

Para mim, um atendimento de qualidade também significa criar um espaço onde você possa conversar, entender o que está sendo feito e se sentir seguro com a sua decisão.

Por trás da profissional: minha trajetória com o piercing

Minha história com o piercing começou em 2021, no período pós-pandemia.

Naquela época, eu estava cursando Biologia no Instituto Federal Fluminense e comecei a perceber que muitos dos conhecimentos que eu estudava poderiam conversar diretamente com o piercing, área que eu estava criando interesse.

O corpo humano, os tecidos, a cicatrização, os processos biológicos e a biossegurança deixaram de ser apenas assuntos acadêmicos e passaram a fazer parte da minha rotina de uma maneira muito prática.

Quanto mais eu estudava e trabalhava, mais percebia o quanto um piercing envolve muito mais conhecimento do que simplesmente saber realizar uma perfuração.

A importância da escolha dos materiais para o seu piercing

Também comecei a observar com mais atenção algumas situações que aconteciam no dia a dia do estúdio.

Clientes chegavam de outros profissionais com piercings inflamados, irritações e problemas relacionados à qualidade das joias ou aos cuidados realizados durante a cicatrização. Os clientes começaram a me procurar justamente porque eu era uma das únicas profissionais na cidade que trabalhava exclusivamente com titânio.

Com isso, passei a me preocupar cada vez mais com a qualidade dos materiais e com a segurança de todo o processo.

Foi nesse contexto que o titânio ganhou um espaço tão importante no meu trabalho.

Além da experiência profissional, existe também uma questão pessoal. Eu mesma tenho histórico de reação a metais, então encontrar um material que oferecesse uma experiência muito melhor para o meu próprio corpo também reforçou a maneira como enxergava a joalheria para piercing.

O nascimento da Versal Joias e a curadoria de piercings

A partir daí, comecei a buscar cada vez mais conhecimento com padrões mais rigorosos de biossegurança e seleção de materiais.

Foi também dessa experiência no estúdio que nasceu, junto com o Luan Sol, meu parceiro e sócio, e eu, Bruna Alves, a ideia da Versal Joias.

A Versal nasceu da união entre a experiência prática do piercing, a arte corporal, o conhecimento técnico e a vontade de levar para mais pessoas uma curadoria de joias que priorizasse qualidade e biocompatibilidade.

O Luan Sol já trabalhava com tatuagem e também possui formação em Biologia pelo IFF. No estúdio, nossas experiências acabaram se complementando muito.

Enquanto eu estava diretamente ligada ao universo do piercing, ele trazia sua experiência com tatuagem, arte, design e comunicação.

Nossa história também passa pelo estúdio Horus Tattoo, onde acompanhamos de perto clientes que chegavam frustrados com experiências com outros estúdios e percebemos que esses problemas poderiam ser evitados com materiais melhores, orientação adequada e atenção aos processos de segurança.

A Versal Joias surgiu justamente dessa vivência.

A ideia era levar para além do estúdio a mesma preocupação que tínhamos dentro dele: oferecer joias de qualidade e compartilhar informação para que as pessoas pudessem tomar decisões mais conscientes sobre seus piercings.

Para conhecer melhor a história da marca e do estúdio, você também pode conhecer a nossa página Sobre nós.

Para finalizar: o que eu gostaria que você levasse deste artigo

Se existe uma coisa que eu gostaria que você levasse desta matéria, é um pequeno vislumbre de tudo aquilo que existe por trás de um piercing.

Enquanto a pequena joia que você vê no espelho é apenas a parte mais visível, por outro lado, ela envolve um processo completo que envolve anatomia, técnica, materiais, biossegurança, cicatrização, estudo e, principalmente, confiança.

De fato, existe muito trabalho antes da agulha encostar na pele, bem como existe muito trabalho depois que você sai do estúdio.

E existe uma pessoa por trás de cada procedimento: alguém que estudou, se preparou e escolheu trabalhar com modificação corporal porque acredita que ela pode ser uma forma bonita de expressão, desde que seja feita com responsabilidade e respeito ao corpo.

Talvez, depois de conhecer um pouco desse backstage, você nunca mais olhe para um piercing da mesma maneira.

E, da próxima vez que você pensar em fazer um, espero que além de escolher uma joia bonita, você também se pergunte: quem vai cuidar do meu corpo durante esse processo?

Essa escolha pode fazer toda a diferença.

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