Guilherme Leite: blackwork e neotradicional em Porto Alegre

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À frente de seu estúdio privado em Porto Alegre, o tatuador une sombras pontilhadas, criação compartilhada e um atendimento que acolhe especialmente quem está fazendo a primeira tatuagem.

Querer fazer uma tatuagem e ainda não saber o que tatuar pode ser o começo de uma boa conversa. Para Guilherme Leite, tatuador em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, essa conversa faz parte do trabalho. Antes de desenhar, ele procura entender quem está diante dele: as referências, a maneira de viver e aquilo que essa pessoa gostaria de reconhecer na própria pele.

Conhecido no Instagram como @leitetattoo⁠, Guilherme desenvolve uma linguagem própria que aproxima blackwork e neotradicional. Suas sombras pontilhadas, realizadas com o chamado rastelado, participam de uma identidade construída desde 2015. Em 2026, são 11 anos de profissão e uma relação cada vez mais profunda com a cultura da tatuagem.

Mas há outro ponto essencial para conhecer seu trabalho: boa parte de seus clientes chega para fazer a primeira tattoo. E ele gosta especialmente de acompanhar esse início.

“Eu estudei conceitos técnicos e artísticos para poder oferecer aos meus clientes, não impor.”

Essa frase ajuda a entender o artista. Há conhecimento e uma direção estética clara, mas também espaço para ouvir, explicar e construir junto.

Ao longo de 11 anos contando histórias da tatuagem e divulgando milhares de artistas, o Tattoo2me aprendeu a valorizar esses encontros entre autoria e cuidado. Na trajetória de Guilherme, eles aparecem em escolhas concretas, da criação do desenho à comunicação durante a sessão.

Da primeira máquina guardada no armário a 11 anos de tatuagem

Nascido em Porto Alegre, em 1995, Guilherme gostava de desenhar desde criança. Os primos incentivavam sua aproximação com a tatuagem, embora, naquele momento, ele não se imaginasse na profissão. A primeira máquina veio de uma compra impulsiva e passou meses guardada no armário.

Quando começou a tatuar amigos e familiares, cobrando valores simbólicos, percebeu uma possibilidade de trabalho. Pediu demissão da empresa em que atuava e passou a procurar estúdios para atender. Sua primeira entrada em um estúdio de tatuagem aconteceu, portanto, como alguém que buscava exercer a profissão.

Um detalhe torna essa história particularmente interessante: Guilherme trabalhou profissionalmente por cerca de um ano antes de fazer a própria primeira tatuagem. A vontade de ser tatuado surgiu conforme ele compreendia, por dentro, o significado daquela prática.

“Atendi profissionalmente por cerca de 1 ano sem ter uma tattoo sequer no meu próprio corpo, até que, inevitavelmente a vontade (e o entendimento do que era realmente a tattoo) veio e nunca mais passou.”

A descoberta inicial de uma fonte de renda se transformou em pertencimento. Hoje, ele se descreve como um tatuador completamente apaixonado pelo que faz e cada vez mais imerso nesse universo.

Blackwork e neotradicional em Porto Alegre: uma linguagem própria

Ao definir seu estilo de tatuagem, Guilherme faz uma distinção importante. Seu trabalho reúne blackwork e neotradicional de maneira integrada, considerando a composição, o caimento no corpo e a aplicação.

“Uma mistura homogênea de técnicas do blackwork com o neotradicional.”

Para ele, essa mistura vai além de colocar elementos de duas estéticas no mesmo desenho. Os conceitos se encontram na própria maneira de pensar a tatuagem, desde a organização das formas até a relação da arte com a área escolhida.

O neotradicional ocupa um lugar especial nessa construção. Guilherme se identifica com a liberdade de criar a partir de fundamentos que admira no old school. A preocupação com a leitura da imagem ao longo do tempo orienta suas escolhas e sua intenção de produzir trabalhos que envelheçam bem.

“Eu sou completamente apaixonado pelo neotradicional, não apenas pela estética, mas pelo o que o estilo simboliza: algo moderno e livre, com os fundamentos do old school.”

Essa atenção à passagem do tempo é um objetivo artístico declarado por ele. Está na busca por composições que façam sentido no presente e continuem legíveis com o envelhecimento da tatuagem.

Além de sua linguagem própria, Guilherme gosta de realizar projetos de blackwork, neotradicional e old school. Ao falar desse último, destaca o carinho e o respeito pelo estilo. Ainda assim, sua satisfação também depende de algo bastante concreto: a reação de quem recebe o trabalho.

“Independente de estilo, ver aquele sorriso no espelho não tem preço.”

Sombras pontilhadas e rastelado: uma característica das tatuagens de Guilherme Leite

Uma característica recorrente nas tatuagens de Guilherme Leite⁠ é a textura dos sombreamentos. Ele utiliza o rastelado, que descreve como whipshade com agulha de traço, para construir passagens de preto com aparência pontilhada.

“Olhando qualquer trabalho meu, é fácil notar que todas as sombras possuem uma textura pontilhada.”

O artista conta que essa forma de trabalhar se tornou tão natural que já não a percebe como uma decisão inteiramente consciente a cada projeto. É parte de seu modo de executar as sombras e de organizar visualmente as tatuagens.

Guilherme também relata a satisfação de ter trabalhos reconhecidos em um breve olhar, mesmo quando a pessoa não consegue apontar um único elemento responsável por esse reconhecimento.

Seu relato sugere uma identidade percebida no conjunto: composição, textura, desenho e aplicação se relacionam para formar uma linguagem própria. É uma construção que merece atenção porque revela o desenvolvimento de um olhar, além do domínio de uma técnica.

Primeira tatuagem em Porto Alegre: espaço para chegar sem uma ideia pronta

Uma das características mais relevantes do atendimento de Guilherme é a disposição para receber quem deseja se tatuar, mas ainda não sabe qual desenho escolher. Segundo ele, pessoas fazendo a primeira tatuagem representam a maior parcela de sua clientela.

“A minha maior parcela de clientes, são os que vão fazer sua primeira tatuagem. E eu amo atender essas pessoas.”

Essa afinidade ganhou força a partir de um episódio no início de sua trajetória. Poucas semanas depois de entrar em um novo estúdio, recebeu um homem de aproximadamente 50 a 60 anos que já havia passado por outros quatro lugares naquele dia. Ele queria fazer a primeira tattoo, mas ainda não sabia o que tatuar.

Guilherme o convidou para sentar e tomar um café. A conversa começou por perguntas sobre a vida daquele cliente: quem ele gostaria que visse a tatuagem, em quais situações e como costumava se vestir.

Ao saber que ele participava de um motoclube e desejava mostrar a tattoo aos amigos, conseguiu ajudá-lo a pensar na localização. O cliente escolheu a mão.

Depois, conversando sobre seu estilo de vida, a boemia e o apreço pelo conhecimento, chegaram à imagem de uma coruja, associada à vida noturna e à sabedoria.

O trabalho rendeu a primeira gorjeta da carreira de Guilherme. Mais do que isso, mudou sua compreensão sobre a profissão.

“Naquele momento entendi que quando o cliente chega com uma ideia pronta, ele chega com metade do meu trabalho já feito. E que isso não deveria ser a norma.”

Desde então, ele passou a se dedicar a esse tipo de criação.

Para quem procura um tatuador em Porto Alegre para fazer a primeira tatuagem, a possibilidade de conversar antes de decidir pode ser especialmente valiosa. A vontade de se tatuar também pode vir antes da imagem, e Guilherme faz desse intervalo um espaço de escuta.

Tatuagem autoral criada ao lado do cliente

No estúdio privado próprio em Porto Alegre, Guilherme recebe os clientes com água, café e tempo para conversar. Seu interesse vai além da escolha de um tema: ele quer conhecer a pessoa que vai carregar aquele desenho.

O processo de criação acontece com participação direta do cliente. Guilherme fotografa com um tablet a região do corpo que será tatuada e utiliza um aplicativo de desenho para desenvolver a arte enquanto os dois conversam.

“Vou criando a arte da tattoo junto ao cliente, literalmente ao lado, enquanto conversamos e ajustamos todos os detalhes. O processo é um trabalho em conjunto do inicio ao fim.”

Esse método permite discutir a composição na imagem do próprio corpo e ajustar detalhes ao longo da conversa. O cliente acompanha a construção, apresenta suas percepções e participa das decisões.

As referências pessoais do artista também entram nesse encontro. Apaixonado por cinema, animes, jogos, cultura geek e pop, além de interessado em filosofia, Guilherme reúne um repertório que participa da interpretação de cada ideia. Mas ele é direto ao dizer de onde vem sua principal inspiração:

“Meus clientes. Eu me considero um prestador de serviço que se especializou em ouvir e sintetizar ideias em representações visuais individuais.”

A autoria aparece justamente nessa leitura particular. Cada projeto atravessa seu repertório, suas escolhas e a conversa com uma pessoa específica.

Comunicação, higiene e respeito durante a experiência

Quando perguntado sobre o que considera mais importante no atendimento, Guilherme responde: comunicação. Essa prioridade acompanha a criação e continua durante o procedimento, quando respeito e compreensão também precisam estar presentes.

Ao descrever como busca um ambiente acolhedor, ele destaca a limpeza, a empatia, a cordialidade e o respeito pelo histórico cultural e pelos conceitos estéticos de cada indivíduo. A higiene do espaço aparece repetidamente em sua resposta, como uma prioridade do trabalho.

O resultado que deseja oferecer cabe em três palavras:

“Ouvida, respeitada e satisfeita.”

Há coerência entre essa intenção e a maneira como organiza o processo. Oferecer conhecimento técnico, permitir a participação do cliente e manter o diálogo são formas de colocar sua experiência a serviço de quem está sendo tatuado.

“A humanidade e a empatia, a conexão e o respeito, são fatores singulares e insubstituíveis.”

É nesse entendimento que seu atendimento ganha força. Guilherme reconhece que uma tatuagem envolve expectativas, escolhas pessoais e a confiança de permitir que outro profissional intervenha no próprio corpo. Sua resposta a essa confiança é a disposição para construir uma experiência com participação e respeito.

Fechamentos de braço, perna e costas em Porto Alegre

Guilherme gosta de atender diferentes propostas, mas conta que tem especial interesse por projetos de grande extensão: fechamento de costas, fechamento de braço, fechamento de perna e bodysuit.

Esses trabalhos estão entre os que mais deseja receber atualmente, pela liberdade de criação que encontra neles. Para quem busca desenvolver um projeto amplo de tatuagem blackwork ou neotradicional em Porto Alegre, vale conhecer seu portfólio e conversar sobre as possibilidades de composição.

Seu atendimento também ultrapassa o público local. De acordo com o artista, há clientes de São Paulo e do Rio de Janeiro que viajam especificamente para tatuar com ele, além de clientes da Austrália.

São encontros que ampliam a circulação de seu trabalho e trazem outras histórias para dentro do estúdio.

Os próximos caminhos de Guilherme Leite

Depois de 11 anos tatuando, um dos desafios que Guilherme identifica é mostrar mais de si, além das imagens de seus trabalhos. Atualmente, está reorganizando sua relação com as redes sociais para compartilhar também a pessoa que existe por trás das criações.

Esse movimento se conecta à sua própria percepção de que a identificação com o profissional faz parte da experiência de se tatuar. Entre os planos para os próximos meses e para 2027 estão realizar mais guests e levar seu trabalho a outros estados e países.

A vontade de circular encontra uma trajetória já marcada pela disposição para conversar com pessoas diferentes. Cinéfilo, interessado em filosofia e apaixonado por cultura pop, ele se apresenta com uma frase bem-humorada: considera-se alguém capaz de conversar com qualquer humano vivo.

No atendimento, essa abertura ganha uma função muito clara: conhecer antes de desenhar.

Onde conhecer o trabalho de Guilherme Leite e pedir um orçamento

Guilherme Leite atende em estúdio privado próprio em Porto Alegre, RS, e trabalha com uma linguagem autoral que integra blackwork e neotradicional. Entre suas características estão as sombras pontilhadas com rastelado, a criação compartilhada e o acolhimento de pessoas que vão fazer a primeira tatuagem.

Se você procura tatuador de blackwork em Porto Alegre, tatuagem neotradicional em Porto Alegre ou um profissional para conversar sobre sua primeira tattoo, conheça o trabalho de @leitetattoo no Instagram⁠.

O perfil é o canal informado pelo artista para consultar o portfólio, entrar em contato e solicitar um orçamento.

Quem deseja planejar fechamentos de braço, perna, costas ou um bodysuit também pode apresentar sua proposta por lá. E, se o desejo de tatuar já existe, mas a ideia ainda não chegou, esse também pode ser o ponto de partida da conversa.

Um agradecimento do Tattoo2me

Guilherme, obrigada por dividir sua história com o Tattoo2me e por mostrar com tanta clareza o valor de ouvir. A conversa que transformou o desejo de uma primeira tatuagem em uma coruja diz muito sobre a maneira como você escolheu exercer essa profissão: com curiosidade sobre o outro, disposição para construir junto e respeito pela história de quem se senta à sua frente.

É muito bonito conhecer um artista que ama desenvolver a própria linguagem e encontra tanta alegria no sorriso do cliente diante do espelho. Que seus próximos projetos, em Porto Alegre e nos lugares por onde ainda vai passar, tragam encontros que continuem alimentando essa paixão. Ficamos felizes em registrar sua trajetória por aqui.

Com carinho, Nicole Ognibeni e equipe Tattoo2me.

Nicole Ognibeni
Nicole Ognibenihttps://tattoo2me.com
Jornalista apaixonada por novos sabores, tatuagens, viagens e animais. Vem pro meu mundo: @nicole.ognibeni / blog.tattoo2me.com

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