Especializado em hiper-realismo e retratos, o artista combina desenho, pintura e escuta para criar tatuagens que acompanham o corpo e expressam a história de quem as carrega.
Um retrato pode ser reconhecido pelo olhar, pela curva de um sorriso ou pela relação entre os traços de um rosto. Na pele, existe ainda outra questão: como fazer aquela imagem pertencer ao corpo que a recebe? É nesse encontro entre semelhança, composição e identidade que Lucas Rocha dos Santos desenvolve seu trabalho com tatuagem realista no Rio de Janeiro.
Especializado em realismo e hiper-realismo, Lucas se dedica a reproduzir fotografias com atenção às expressões, às texturas e às gradações de sombra. Ao mesmo tempo, pensa no que acontece ao redor da imagem: a pele que permanece aparente, o movimento do desenho, o contraste e a maneira como cada elemento acompanha a anatomia.
Quem visita o portfólio de Lucas Rocha dos Santos no Instagram encontra retratos e animais entre seus trabalhos. Na entrevista, ele apresenta a investigação que orienta essas criações: compreender o que alguém deseja reconhecer em si ao escolher uma tatuagem.
“Com conhecimento e sensibilidade, transformo em arte aquilo que meu cliente deseja sentir ao se ver com sua tatuagem na própria pele.”

Do desenho à tatuagem: uma trajetória iniciada em 2017
Antes de se tornar tatuador, Lucas já encontrava no desenho uma forma de investigar o que via, sentia e desejava guardar. O estudo do desenho realista e da pintura ampliou essa relação com a arte e trouxe uma descoberta: aquilo que o ajudava a se expressar também poderia criar vínculos com outras pessoas.
“A tatuagem foi a forma que encontrei de me conectar com as pessoas.”
Em junho de 2017, começou como aprendiz em um estúdio. Em novembro daquele ano, passou a tatuar profissionalmente. Desde então, seu percurso inclui estudos em linguagens diferentes: técnicas de old school com Guilherme Freitas, em 2018; realismo e freehand com Igor Vieira, também em 2018; e pontilhismo e geométrico com Ibrahim, em 2019.
Atualmente, cursa licenciatura em Artes Visuais na Cruzeiro do Sul. Essa continuidade no estudo acompanha um interesse que atravessa sua entrevista: entender como as escolhas visuais mudam a presença de uma tatuagem no corpo.
A força dos traços do old school, a relação do tribal com os contornos da anatomia, a geometria, o rastelado do blackwork e as possibilidades do ornamental fazem parte desse repertório. São linguagens que Lucas observa para ampliar as soluções de cada projeto, mantendo o realismo como sua especialidade.
Retratos realistas: preservar a expressão de uma pessoa
Para Lucas, a semelhança de um retrato se constrói nas relações entre os detalhes. O formato dos olhos, do nariz e da boca importa tanto quanto a maneira como essas características se organizam e tornam um rosto particular.
Essa atenção orienta seu trabalho com tatuagem de retrato realista. Textura da pele, pelos, brilhos, reflexos e transições entre sombras entram na construção de uma imagem que precisa preservar a expressão da pessoa retratada.
“Nos retratos, acredito que uma das características mais importantes seja a expressão da imagem.”
A satisfação de realizar seu primeiro retrato foi um dos momentos decisivos de sua carreira. Ao perceber a reação de quem recebia aquele trabalho, Lucas reconheceu que estava vivendo algo que havia imaginado para o próprio futuro: desenhar, pintar e criar na pele uma arte conectada à vida de outra pessoa.
Há uma dimensão pessoal nesse interesse. Ele carrega na perna um retrato da mãe, feito em um momento em que desejou celebrar o orgulho de tê-la em sua vida. A homenagem ajuda a compreender por que retratos ocupam um lugar tão importante em sua produção e nos projetos que deseja receber.






Hiper-realismo e composição: o desenho pensado para cada corpo
A precisão técnica é parte do trabalho de Lucas, mas sua identidade também se revela nas decisões sobre o conjunto. Ele considera a quantidade de preto, a intensidade das sombras, a presença ou ausência de fundo e os espaços de pele aparente conforme a proposta e a pessoa.
Em muitas composições, combina o realismo com elementos abstratos e ornamentais. Os espaços vazios participam do desenho, enquanto o ornamento cria gestos e movimentos que acompanham o corpo.
“Através dos meus clientes encontro meu estilo.”
A frase traduz uma maneira de trabalhar em que a linguagem autoral se desenvolve na relação com cada projeto. O que o cliente deseja expressar, os estilos com os quais se identifica e a forma como quer se apresentar ajudam a orientar as escolhas.
Lucas também explica por que quase nunca utiliza fundos inteiramente escuros que terminam de maneira abrupta. Em determinadas composições, entende que essa solução pode criar divisões visuais e comprometer a harmonia que procura construir.
Nas tatuagens maiores, seu olhar percorre a distribuição dos detalhes, a relação entre áreas claras e escuras e o movimento do desenho sobre a anatomia. A imagem principal faz parte de uma composição que precisa funcionar por inteiro.
“Para mim, esse movimento, essa forma que a tatuagem desenha no corpo, também faz parte da obra.”
Uma tatuagem exclusiva começa pela conversa
O processo de criação começa com perguntas sobre o desejo do cliente, o significado da tatuagem e a maneira como ele imagina se ver com ela. A partir dessa conversa, Lucas pesquisa referências e desenvolve os primeiros esboços.
Os desenhos são apresentados, discutidos e ajustados. Depois, vem o estudo no corpo: posicionamento, forma, relação com a anatomia e avaliação do decalque aplicado. O design final nasce desse percurso compartilhado.
“Para mim, criar uma tatuagem exclusiva não é simplesmente desenhar algo que o cliente pediu. É desenvolver uma solução junto com ele, por meio de conversas, experimentações e ajustes, até que a ideia encontre uma forma que faça sentido tanto para a pessoa quanto para o corpo que vai recebê-la.”
Durante a sessão, faz pausas e pequenos intervalos. Ao concluir, conversa sobre os cuidados posteriores e fotografa o resultado. No dia seguinte, entra em contato pelo WhatsApp para saber como a pessoa está e reforçar as orientações.
O acolhimento também aparece na maneira de se aproximar e tocar o cliente. Lucas procura comunicar seus movimentos e mudanças de posição, para que a pessoa consiga antecipar o que vai acontecer e se sinta mais à vontade.
“Para mim, acolher não significa apenas ser simpático. Significa estar presente, saber ouvir e fazer com que a pessoa perceba que sua participação importa e que ela pode se comunicar comigo durante o processo.”
É assim que sua ideia de tatuagem como ritual ganha forma no atendimento: há etapas, escuta, verificações e espaço para participar da construção.



Histórias que ajudam a compreender sua arte
A relação entre tatuagem e passagem também faz parte da história pessoal de Lucas. Após cinco anos atravessados por cirurgias e internações decorrentes de um problema de saúde, decidiu realizar a tatuagem na cabeça com a qual sonhava durante aquele período. A escolha marcou um momento em que se sentiu vitorioso diante do que havia vivido.
Essa experiência o aproxima do significado que outras pessoas encontram ao se tatuar. Uma das histórias que guarda com carinho é a de Cíntia, que chegou com a ilustração de uma mulher com flores na cabeça. Juntos, transformaram a referência em uma composição para seu braço.
O momento mais marcante veio quando ela contou que aquela mulher representava a si mesma. Sua história de maternidade precoce, amadurecimento e adaptação às dificuldades encontrava uma imagem em que conseguia reconhecer o próprio florescimento.
“Para mim, foi muito bonito perceber que aquela figura não era apenas uma mulher com flores na cabeça. Era a maneira como Cíntia conseguia enxergar a própria história e a pessoa em que havia se transformado.”
Relatos assim ajudam a compreender a atenção que Lucas dedica à conversa. Às vezes, a referência chega como uma imagem; ao longo do processo, revela uma história que precisa ser compreendida para ganhar forma na pele.
Pintura a óleo e os próximos caminhos de Lucas
O estudo da pintura a óleo ocupa hoje um espaço importante em sua rotina. Lucas deseja desenvolver sua linguagem como pintor e levar descobertas dessa prática para a tatuagem, explorando técnicas, soluções visuais e outras maneiras de pensar a imagem.
Para os próximos meses e para 2027, pretende desenvolver projetos que aproximem essas duas produções. Quer receber mais propostas de retratos e composições maiores, nas quais possa integrar o realismo a outras linguagens e aprofundar a relação entre desenho e corpo.
Tornar-se uma referência em tatuagens de retratos é um objetivo que ele apresenta com clareza. Sua dedicação atual reúne o estudo das expressões, a experiência no atendimento e a pesquisa artística necessária para seguir ampliando o próprio trabalho.


Onde conhecer o trabalho de Lucas Rocha dos Santos no Rio de Janeiro
Lucas atende em estúdio privado no Rio de Janeiro. Além dos clientes da cidade, recebe pessoas de outras localidades, especialmente de Saquarema, que chegam também por indicações de quem já tatuou com ele.
Para quem procura um tatuador de realismo no Rio de Janeiro, deseja fazer uma homenagem em forma de retrato ou desenvolver uma composição exclusiva, o primeiro passo pode ser conhecer seus projetos e conversar sobre a ideia.
Visite o Instagram @lucasrsantos.tattoo para explorar o portfólio. Os pedidos de orçamento podem ser feitos pelo WhatsApp profissional de Lucas ou pelo direct do Instagram.





Ao longo de 11 anos, o Tattoo2me tem compartilhado trajetórias que mostram quantas formas existem de viver e construir a tatuagem. Lucas, obrigada por confiar a nós uma história tão pessoal e por explicar com tanto cuidado o pensamento que acompanha cada escolha do seu trabalho. Sua maneira de observar um rosto, escutar uma lembrança e estudar o desenho no corpo merece ser conhecida. Foi muito especial abrir esse espaço para a sua arte e para a pessoa que a torna possível.


Lucas, escrever sobre a sua trajetória tem um significado especial para mim porque tive a alegria de conhecer você pessoalmente. Além de admirar o artista incrível que você é, pude conhecer uma pessoa carinhosa, amorosa e que deixa uma lembrança muito boa em quem encontra.
Foi bonito reconhecer esse cuidado também nas suas respostas: na atenção ao corpo de cada cliente, na escuta das histórias e na vontade de criar algo que faça sentido para aquela pessoa. Conhecer você deu ainda mais significado à leitura de tudo isso.
Obrigada por confiar em mim e no Tattoo2me para contar a sua história, inclusive partes tão pessoais dela. Tenho muito carinho por você e desejo que seu trabalho alcance cada vez mais pessoas que valorizem a sua arte e a dedicação que existe em cada projeto. É uma alegria ter você fazendo parte da nossa história.

