A tattoo e o olhar curioso de Katharine Alden

Kat Alden é uma das artistas com destaque na cena da tatuagem nacional e ela nos contou um pouco sobre seu olhar para arte visual.

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Em um primeiro momento, quando se conhece o trabalho de Katharine, você se pergunta sobre aquelas cores tão fortes, mas também se pergunta- curioso- sobre como as linhas, o degradê , os traços, pontilhados, se encaixam tão perfeitamente à anatomia de um corpo. É de ficar encantado realmente. Ainda mais depois de entender da onde vem toda a inspiração da artista.
O que a gente propõe aqui nessa matéria, hoje, é que você viva a experiência do olhar curioso. Vamos lá?

Kat Alden, como é conhecida, é uma artista baiana que tatua há pouco menos de 3 anos. Atualmente, a artista está à trabalho em São Paulo, mas sua agenda já está bem concorrida em Recife para o final deste ano e também para os Estados Unidos, onde a artista passará uma temporada, em Dezembro.
Se você aí ficou curioso para saber mais sobre as artes da Kat, nós vamos te contar tudinho: a artista, além de ser tatuadora, também é uma excelente escritora e tem se arriscado também na fotografia.

“á pensei em ser muita coisa, acho que a primeira ideia de pequena foi ser veterinária mas depois disso a lista foi vasta, desde professora até parteira, passando por bordadeira, mosaicista, e claro, tatuadora. Atualmente, minha ligação com a arte se dá no campo da percepção e da emoção que se sucede, entender é importante e potencializa a experiência até certo ponto, desde que não fomente a prepotência de julgar o objeto como entendido e cessar o olhar curioso.”

O caminho e a inspiração

A artista nos contou que seu caminho na arte anda de mãos dadas com todos seus outros caminhos: é um caminho de auto-análise, de estar atento a si próprio e ao mundo.

“O caminho é individual e continuo, é um caminho de auto-análise e amor próprio, de manter o olhar curioso sobre si mesma e se desapegar das conclusões entendendo que elas só o são, até não mais serem.
É o caminho de fazer tudo na vida com a mesma presença.
Essa tem sido a minha busca, ambiciosa mas possível!
Gosto muito de artesanato, tapeçaria, bordado, escultura e miçangas dos anônimos que a gente encontra na vida tem um valor sentimental que conta muito pra mim.
Das artes visuais, a arte têxtil tem me chamado bastante atenção: Ruth Asawa, Arthur Chaves, Maryam Ashkanian é complicado citar nomes porque sempre ficam muitos, injustamente, fora da lista!
Na pintura, gosto de tons vibrantes e bastante textura: Marcela Cantuaria, Vinicius Gerheim, Xevi Solà são maravilhosos, por exemplo.
Na fotografia, tem muita coisa boa: o trabalho do Lin Yung Cheng me fascina. Também amo cerâmica, amo muito… nossa tem muita coisa!
Na poesia, eu não poderia deixar de citar a Mana Bernardes que me inspira bastante!”

Katharine Alden, em ação. ❤

Deu para perceber que inspiração é o que não falta no olhar de Kat.
E nós temos a sorte de poder olhar e admirar toda essa bagagem em formas, corpos, cores, fotos, textos, produzidos pela artista.

Estilos, cores e técnicas. Ou não.

Nessa ditadura louca em que vivemos, achamos sempre que as coisas precisam se encaixar. No sentindo mais literal da palavra mesmo: separar, igualar e colocar em caixas que determinam estilos, técnicas, padrões. E Katharine foi muito pontual nesse quesito:

“Eu já pensei a respeito e percebi que não consigo encaixar- meu trabalho- em nenhum estilo. Já fiz trabalhos de linha mais simples nos primeiros meses de tattoo, aprendi a sombrear, um pouco, na mesma época também, mas nunca desenvolvi uma linha de trabalho nesse sentido.
Comecei três graduações e não terminei nenhuma, fiz muitos cursos livres na área de curadoria e história da arte, alguns anos de ateliê de desenho em modelo vivo e copismo também, aula de escultura com modelo vivo, curso de edição de imagem e vídeo.
Na tatuagem, eu fui aprendiz em um estúdio que tinha uma equipe de especialistas em estilos bem diversos, desde o realismo, até o sketch work, passando pelo tribal, oriental e ornamental, todos muito dispostos a ensinar e eu muito disposta a aprender.
Cheguei a fazer um workshop de freehand com um tatuador que admiro muito e, uma vez, em São Paulo, no estúdio que trabalho atualmente, também aprendi muita coisa de freehand, pigmentação e ritmo de trabalho com meus colegas. Acredito que essa vivência variada e dinâmica contribuiu muito para minha evolução, buscar estar próximo de quem eu admiro e ouvir com humildade foi sempre uma ótima pedida pra mim.”

E, claro, precisamos saber mais sobre suas cores:

“Comecei a trabalhar com cor logo no início da minha trajetória na tatuagem porque achava interessante, achava que era importante aprender. E aí nessas primeiras vezes, me impressionou bastante, achei que deu um destaque incrível. Gosto, eu gosto de cor. Sempre trabalhei com cor.
Mas não no desenho, no desenho sempre trabalhei com tons pastéis, pastel seco, carvão, nanquim, mas a cor sempre esteve presente no mosaico, no bordado, então acabou que foi importante na tatuagem também. Está sendo importante…
Tem essa questão técnica da cor na tattoo: envelhece!
É bem diferente do preto. E também tem essa coisa da cor sem contorno, a galera diz que não funciona muito bem e tal, mas eu acho que tem muita coisa sendo experimentada na tatuagem, com preto, inclusive, e que não vai envelhecer bem. No meu caso, eu utilizo cor de uma forma muito pontual. Apesar de chamar muito atenção, não é muita e, caso venha a mudar, a envelhecer com os anos, não é algo que vá mudar o desenho, a forma em si. Então não me incomoda se mudar a cor ou até a forma um pouco. Meu trabalho comporta essas imperfeições, sabe?
O que eu faço é deixar o cliente ciente de tudo isso: o que vai funcionar ou não no corpo dele. O cliente tem uma expectativa e eu preciso falar se aquela tattoo vai dar conta da expectativa ou não.”

Outras artes: mais artes!

Se nesta altura da matéria, você ainda não deu uma conferida no Instagram da artista, tudo bem. Risos!
Vamos te contar que a Katharine produz fotos incríveis, montagens maravilhosas com suas tatuagens, seus textos, suas obras…

“(Minha relação com as palavras) é bem experimental e amadora. Escrevo o que me convém sem me preocupar com uma fio condutor, concordância, coesão ou qualquer respeito a forma, depois deixo aquilo descansar. Volto em alguns textos e abandono outros, quando acho necessário, eu peço pra alguém ler e me dar um parecer. Meu pai escreve também, então esses dias ele revisou alguns textos pra mim. Enfim, nada muito pretensioso, porém feito com sentimento.
E eu fiz mosaico durante a alguns anos da minha adolescência, foi a primeira vez que pensei equilibro de cor e forma numa composição com mais afinco, eram composições abstratas e que não conversam com o que eu faço, hoje, na tatuagem, porém acredito que esse exercício me fez contemplar essa esfera do desenho que foge um pouco do formato figurativo que é bem praticado na tatuagem no Brasil atualmente.”

Ufa! Diz se é ou não é uma artista e tanto. E não para por aí, Kat nos contou que tem se permitido fotografar, com uma máquina analógica de 35 mm e uma médio formato 120mm.
Ela nos falou de seus projetos fotográficos recentes com tribal.

“Minha trajetória na fotografia analógica é amadora e recente, tem sido divertido experimentar e buscar saber mais sobre esse tema.
Em paralelo a isso, tenho buscado cada veia mais referências tribais no meu trabalho na tattoo, isso começou por um interesse estético por trabalhos freehands vestidos, com influência na raiz oriental de tattoo. Estudando pintura e modificação corporal nativa de tribos americanas e asiáticas eu acabei pegando apreço por esses motivos gráficos e isso inclui também a versão ocidentalizada, o famigerado tribal de ponta que foi febre de tatuagem nos anos noventa nos grande centros urbanos das Américas e Europa.
Com isso passei a reparar mais nesse tipo de tatuagem pela rua, fotografar e pensar em formas de reviver seu valor, uma vez que isso afeta positivamente a auto-estima de todos que as carregam, pois ameniza os desdobramentos do modismo obsoleto e preserva o registro histórico da tatuagem diminuindo o número de coberturas.
Em suma, trabalhar para transformar breguice em nostalgia, uma vez que a primeira ameaça a auto-estima de muitos indivíduos, em especial mulheres que são vítimas de machismo diário por suas escolhas de vestimenta, adorno, fala, gestual etc.”

Ficaríamos aqui, nessa matéria, por horas à fio. Mas precisamos acompanhar, ainda mais de perto, o trabalho único de Katharine Alden.
Fomos afetados, arrebatados, como a própria artista sugere:

“Como profissional, seja na tatuagem ou em outras mídias, o que eu almejo é continuar praticando, movimentando ideias falando do que me atravessa, afetando e sendo afetada.”

Arte feita por Kat Alden ❤

Oi! Você ainda está aí?
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Fernanda Moraeshttps://blog.tattoo2me.com
Editora no Tattoo2me Magazine. Mãe do Zion e Jornalista, às vezes. Cultura Periférica, Indústria Cultural e Tatuagem.

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