Isolamento social: momento de ser humano

É o momento de ser humano e ressignificar algumas atitudes e comportamentos com o isolamento social que "caiu" sobre o planeta Terra

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Engraçado pensar que sempre esperamos pela sexta-feira, pelos feriados que se prolongam, pelas férias, pelos dias em casa sem hora para sair e, de repente, nossos desejos todos se concretizam um a um.
Sim, não precisaremos sair de casa, ir para o trabalho e nem a lugar algum.
Espera, não é bem assim! Não podemos sair de casa! Que louco! Mas, é isso: estamos todos em uma espécie de prisão domiciliar, em isolamento social.

As angústias são inevitáveis. As dúvidas, muitas. Mas, de alguma maneira, nossa pulsão pela felicidade sempre fala mais alto: queremos viver, passar por tudo isso da melhor maneira possível, sem danos, sem tanto sofrimento, sem tanta dor. Como fazer?
Os dias são longos e mornos, muitas vezes nos falta ânimo, coragem e motivação para o que quer que seja. A inércia tem um poder inacreditável. Como é difícil despir-se do pijama, manter minimamente a rotina e ter atividades que nos permitam não perder a noção do tempo!

Essa questão do tempo é bastante profunda, pensem que a pena pelo cometimento de um crime é, por excelência, a privação da liberdade. Estamos todos temporariamente privados, até certo ponto, da nossa liberdade. Numa situação como essas é preciso mais do que nunca se reinventar, planejar os dias de forma que eles sejam mais leves e ao menos um pouco produtivos.
Confesso a vocês que as minhas duas primeiras semanas de isolamento foram mais fáceis, pois havia uma expectativa de retorno à normalidade, que acabou não se concretizando. Depois, ficou tudo um pouco mais tenso, mas vamos vivendo e nos reinventando.

Anunciada a quarentena e o isolamento social, cuidei de providenciar alguns equipamentos para poder treinar musculação em casa. Com estes aparelhos (uma barra, anilhas, elásticos e duas caneleiras), mais um elíptico que eu já tinha em casa, tenho conseguido me exercitar razoavelmente. Está aí algo que recomendo muito. Além de ter o aspecto de melhorar a saúde física e a estética, tem um efeito emocional incrível.
No meu caso, é como se parte da sua missão diária estivesse sendo cumprida e, afora isso, o exercício causa um bem estar imenso.

Sei que muita gente está trabalhando em home office, não é o meu caso. Sou advogada numa universidade e oriento os acadêmicos do 5º ano em prática jurídica. Durante o isolamento, as disciplinas teóricas continuaram normalmente, por meio de aulas virtuais, entretanto, o MEC não autoriza que disciplinas práticas sejam dadas virtualmente. Nesse ponto, sinto um grande vazio, pois realmente gosto do meu trabalho e sei que a atividade que desenvolvemos com os alunos faz uma grande diferença na vida de muitas pessoas, no sentido de poderem materializar direitos e exercer sua cidadania. Foi preciso criar uma rotina sem esse trabalho, o que não foi nada fácil.

Eu também sou jornalista e sempre gostei muito de escrever, então ainda poderia ter uma atividade para desenvolver a partir de casa. Entretanto, por alguma razão que foge do meu controle, não estava conseguindo, talvez por estar muito ansiosa, por estar vivendo algo que nunca vivi, por estar passando por um momento de incertezas e inseguranças provocadas por essa pandemia. Surgem medos de que algo aconteça com os que amamos, principalmente, com nossos filhos.
Mas, felizmente, acho que deixei um pouco de lado este sentimento de ansiedade e comecei a conseguir fazer uma reflexão sobre o que estou vivendo.
Sabem algo que foi maravilhoso e trouxe certa leveza a este isolamento? Ter meus gatos. Tenho um gato e uma gata e asseguro que o amor que nos transmite um animal é algo único. Inclusive, quem puder adotar um gatinho ou um cachorrinho, recomendo que faça isso, pois vai ajudar muito a enfrentar esse período! Há tantos animais querendo dar e receber amor. Com eles em casa, não há solidão, falta de afeto e falta de diversão, pois são incrivelmente alegres e sensíveis às nossas emoções humanas. São os melhores companheiros possíveis, não só na quarentena, mas na vida.

Outro efeito desse isolamento que me afeta bastante, então acredito que afete também outras mulheres, é não poder cuidar muito bem da aparência. É bem chato se ver no espelho com sobrancelha por fazer, cabelos perdendo o corte, unhas sem fazer, cara lavada e depilação vencida. Sei que até dá para a gente fazer isso tudo em casa, mas não encontro muita motivação. Sei que aí já vem o questionamento: mas você faz isso para si ou para os outros? Mais do que nunca, entendi que somos seres sociais. Fazemos o que nos faz bem, mas tudo gira em torno do convívio social, é algo inevitável. Ninguém vive numa ilha!
Outra questão que deve afligir muitas pessoas, é manter uma alimentação saudável e regrada. É bem difícil, né? Todos os dias são parecidos, estamos sempre em casa, com acesso à geladeira. Uma tentação! Um ponto em que tento não ceder é esse. Faço o possível para manter minha rotina alimentar e até continuei usando um aplicativo com essa finalidade, o Yazio. Acho bem útil e já uso há mais de três anos.
Esse aplicativo é interessante porque permite acompanhar os nutrientes consumidos, não só as calorias. Realmente não quero terminar o isolamento social com quilos a mais e com a perda do que conquistei, a custa de muito suor, com exercícios. Então, essa acaba sendo uma motivação forte para continuar as atividades e a alimentação adequada.

Contudo, está calor aqui em Curitiba, os dias estão lindos, e isso torna bem difícil resistir a uma cerveja gelada, ainda mais que todos os dias parecem fim de semana. Mas a gente faz o possível.

Uma parte ruim do isolamento social é que estou com saudades da minha mãe. Ela mora a duas quadras, mas não estamos nos vendo. Ontem fui fazer uma caminhada e passei em frente à casa dela. Foi difícil não parar para dar um abraço. Acho que a saudade é o que mais nos tortura neste período.
De outro lado, descobri em algumas pessoas, ainda que virtualmente, verdadeiros amigos. Esse é um fato: “o amigo certo se discerne na hora incerta.” Assim, passei a gostar mais de algumas pessoas e bem menos de outras. É a vida sempre nos trazendo surpresas.

Enfim, o mais importante é termos sempre presente que somos humanos e que está tudo bem se alguns dias não estamos bem e não conseguimos fazer nada, vamos vivendo um dia de cada vez e fazendo o que é possível a cada dia. Sem ansiedade, sem angústia, mas com reflexão, autoconhecimento e aprendizado sobre a vida.

E você, se identificou com algum ponto? Conte como tem vivido seu isolamento! Vou adorar saber!

CONTINUE EM NOSSO BLOG:
Isolamento Social: o que podemos aprender com ele?
Coronavírus e tatuagem: tudo que você precisa saber



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Yvana Savedra
Jornalista, escritora, advogada, articulista e apaixonada por arte.

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