Mariana Hoffman: O Preto e Cinza marcante da artista

A artista Mariana Hoffman nos contou sobre seu início na tatuagem e sobre o pioneirismo com série de desenhos nos anos 2000.

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Mineira, tatuadora há quase 15 anos, Mariana Hoffman é daquelas artistas que deixa claro seu estilo de trabalho em suas artes: Preto e Cinza.
Mas afirma que faz um pouco de tudo: “Sou pau pra toda obra!”
Apaixonada por colorido, a artista ingressou na tatuagem pelos desenhos.
Vem conhecer sua história!

“Ingressei no mundo das tatuagens pelos desenhos, em 2004. Naquela época, os estúdios não tinham computadores, não existiam smartphones e muito menos sites de imagens ou mídias como hoje. Fazíamos as famosas séries de desenho e íamos vender nas convenções. Essas séries eram coleções e eram colocadas em pastas para que os clientes pudessem escolher o que tatuar nos estúdios. Vendíamos centenas de cópias!”

132 DESENHOS E O INÍCIO NA TATUAGEM

Mariana dava aulas de desenhos em uma escola de arte quando soube de uma famosa convenção que aconteceria em São Paulo. Preparou os desenhos e não teve dúvidas!

“Um amigo tatuador me falou sobre as séries de desenho para tattoo, me interessei e passei 6 meses preparando uma série comercial feminino com 132 desenhos, distribuídos em 12 folhas tamanho A3 e fui para a convenção internacional do Led’s, em São Paulo. Foram 3 dias incríveis, vendi todas as 50 coleções que preparei e conheci os melhores tatuadores da época.
Saí de lá encantada com a área e decidida a tatuar!
Eu tinha 20 anos e, naquela época, mulher tatuadora quase não existia, lá no evento mesmo podia se contar nos dedos meninas que tatuavam, mas mesmo com o preconceito que era imenso e todas as dificuldades, comecei a tatuar.”

Buscando apoio na família e amigos, a artista alçou voos.

“Meus maiores apoios foram das minhas irmãs e de dois amigos tatuadores, Erick e Mário, eles eram sócios de um estúdio chamado On Shant Tattoo e foram eles quem me cederam espaço e os ensinamentos. Depois entrei de sócia com eles, por um tempo, e abri minha própria loja um ano depois.”

CONVENÇÃO? TÔ DENTRO!

Mariana Hoffman assume que não perdia uma convenção de tatuagem e que, até hoje, é fã das viagens por todo país- e mundo- para conhecer a cena da tatuagem.

“Desde que comecei a tatuar frequentava o máximo de convenções possível, mas nunca me senti pronta para competir. Tatuava e vendia minhas séries e foi pelas séries que meu nome ficou conhecido no meio. Eu era uma das que mais vendia desenhos comerciais femininos entre os anos de 2004 até 2008. Ganhei um prêmio de destaque em 2006 pela revista Metal Head Tattoo, foi um susto ouvir meu nome ser chamado no palco, creio que esse tenha sido o momento mais emocionante da minha carreira. Ser premiada pela melhor revista de tattoo da época, no Brasil. Foi como ganhar um “Grammy”!!
Apesar de ter minha loja, eu viaja muito e fazia guest em vários estados, gostava de viajar ao menos de dois em dois meses, pois era sempre enriquecedor aprender com meus colegas e viver em outros ambientes! O grande aprendizado era viver outras experiências e fazer amizades, acho que o melhor era isso… fazer amigos! Parei de fazer guests quando entrei para a faculdade de Design, nessa época também fechei minha loja e fui tatuar na Armani Tattoo, em BH, lá fiquei por 9 anos, tendo a Armani como minha segunda casa e minha segunda familia. Sinto saudades… Hoje estou super aberta a guests e tudo mais: Estive presente, este ano de 2018, em dois congressos de tattoo em Nova York, o Flight 1017, Tattoo and Art festival e na convenção do Paul Booth, Empire State Tattoo Exp.”

O PRETO E CINZA: HISTÓRIAS QUE MARCAM.

Com um Preto e Cinza marcante, Mariana ainda carrega consigo uma mistura única de técnicas.

“Meu estilo é o Black and Gray, mas as vezes curto fazer tattoos coloridas. Além dos meus sumis, sombras e cinzas, tenho também um set imenso de tintas coloridas. Na realidade, eu sou pau para toda obra!
Gosto da complexidade das diferentes técnicas e suas variações, tento incorporar em um único trabalho técnicas diversas…Vamos dar o nome de mescla.
Meus trabalhos carregam Pontilhismo, Rastelado, Preto sólido, Geometria, Sombra sumi e linhas, muitas linhas… Gosto dos fechamentos e tattoos grandes, mas também me derreto por um fineline ou uma micro tattoo!
Risos”

Nessa variedade de técnicas, cores, gostos, algumas história acabam por marcar a trajetória da artista.

“Talvez eu possa contar a história mais triste que já tatuei, mas mesmo sendo triste, é também a mais bonita!
Jeferson, apaixonado por sua Pitbull Anna, decidiu tatuá-la no peito como homenagem. Quem ama animais sabe o prazer de ter nossos filhos gravados pra sempre na gente…
Dois dias depois de fazer a tattoo, Jeferson sentiu Anna muito quieta e debilitada e ao levar no veterinário, descobriu que Anna estava com câncer avançado já em vários órgãos. Ali mesmo eles a tiveram de sacrificar e ele me contou isso, e me lembrei de como ele falava dela com tanto amor enquanto eu o tatuava. E ele me enviou mensagem falando sobre Anna e me agradeceu por ter a eternizado em sua pele. Triste, mas linda!”

Mariana também compartilhou com a gente quais outros artistas somaram em sua vida como tatuadora e inspiraram para ela ser quem é hoje.

Tem muita gente foda que me inspira! Vou falar de 3 excelentes tatuadores que tive a honra de estar perto: Gosto muito de Blackwork, então 2 caras que eu babo demais são Fredão Oliveira e Bruno Santos, dois lindos de BH que tive a oportunidade de trocar muita ideia, e tatuei ao lado do Bruno por 2 anos na Armani, cara humilde e de talento inigualável, esta tatuando na Irlanda hoje. Por último, mas não menos foda, Lu Corrêa, mestre no realismo Preto e Branco. Mesmo não sendo meu estilo, impressionante como tatuar ao lado dele por uma semana me fez melhorar varias técnicas que utilizo! Sou fã!
Só pra não falar que estou puxando pra minha cidade, curto muito o trabalho do Felipe Santo, de São Paulo, do querido Frank Carrilho, brasileiro que mora em Portugual e do americano Joyce Wallingford.”

VELHA ESCOLA

O legado que Mariana gostaria de deixar é do pioneirismo: ser mulher tatuadora em uma época em que pouco se falava e vivia isso.

“Ter enfrentado muita dificuldade e ter começado em uma época em que mulheres não tinham coragem de se tornar tatuadoras… Gosto de brincar que sou da velha escola! Mas a mensagem que segue meu trabalho é do se expressar livremente. Tattoo significa isso pra mim: Liberdade, atitude e entrega.
Sempre vivi a flor dos meus sentimentos e vontades, sempre lutei por minha total liberdade de expressão e tudo que faço, sempre faço com muito amor.”

Não deixa de seguir a artista também em suas redes sociais para acompanhar por onde ela anda, ou melhor, por onde ela tatua.

Mariana Hoffman (@marianatattooh) * Instagram photos and videos
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Fernanda Moraeshttps://blog.tattoo2me.com
Editora no Tattoo2me Magazine. Mãe do Zion e Jornalista, às vezes. Cultura Periférica, Indústria Cultural e Tatuagem.

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