Pretinho básico: O Blackwork da tattoo

Conversamos com a artista Mariana Leal sobre esse estilo de tatuagem e vamos compartilhar tudo com você.

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Não é a primeira vez que falamos sobre o Blackwork aqui em nosso blog, mas não é todo dia que temos a chance de tirar dúvidas, conversar e conhecer uma artista especialista neste estilo, né?
E já que nós não perdemos nenhuma chance, vamos contar tudo à você.

Um dos 4 textos mais lidos na história do Tattoo2me Magazine é, exatamente, o que nos apresenta ao Blackwork.

“Sua história até pode se confundir com o surgimento da própria tatuagem, já que os primeiros desenhos feitos em pele eram na cor preta.
Resumidamente, a técnica em Blackwork são desenhos feitos em preto.”

Até falamos um pouco sobre a relação entre simplicidade e dificuldade em se fazer tatuagens no estilo: Parece ser algo muito simples e até básico ou primário, mas o estilo precisa vir carregado de traços firmes e contínuos, sem espaço para possíveis erros.

A ESPECIALISTA

Mariana Leal é paulista, tem 28 anos e é tatuadora há 10 anos desde quando se tornou aprendiz em um estúdio de tattoo, em São Paulo.
A artista encara a profissão como um ofício que mais tem a ver com seu lado artesã do que com seu lado artístico.

“Eu tenho muito amor e gratidão pela minha profissão, pelos caminhos que ela abriu pra mim e pelas trocas que ela me proporciona com outras pessoas. Mesmo assim sempre separo meu tempo para produzir material independente da tattoo.
Além de desenhar, trabalho com xilogravura e recorte em papel, e essas vivências contribuem muito para o meu eu profissional, assim como o contrário também.”

O PRETINHO NÃO TÃO BÁSICO

Mariana contou para a gente que sua estrada até chegar no Blackwork não foi tão curta, pelo contrário. A paulista também falou sobre sua técnica de trabalho e tirou algumas de nossas dúvidas como cuidado e possíveis restrições.

“Hoje eu estou concentrada nas aplicações de um único pigmento, mas já trabalhei com cores no passado.
Foi uma transição muito natural que aconteceu conforme o desenvolvimento do meu trabalho e da identificação com meus clientes também. Acredito que a tatuagem é uma linguagem fluída, que reflete essa conversa do artesão com o seu tempo.
Minha técnica é parte estudo, parte experimentação.
Gosto de explorar trabalhos que tenham pontos de contraste e nitidez com a pele e que ‘vistam’ o corpo. Por isso, estou optando por traços mais sólidos e em maior escala. Mas acho que é importante manter essa humildade de se permitir testar coisas diferentes, e se manter sempre na postura de aprender.”

Na técnica em Blackwork é usado somente a cor preta ou pode-se usar outras cores como o cinza, por exemplo?

Eu sou apaixonada pelas inúmeras possibilidades que se é possível alcançar com apenas o preto. Mas acredito que tudo- ou quase tudo- é possível na tattoo, se feito com respeito e responsabilidade. Embora os estilos possam ajudar você a se direcionar em um universo de referências, se limitar à uma série de determinações para mim não faz muito sentido…”

O Blackwork pode ser feito em todos os tons de pele?

Sim, sim e com certeza! Infelizmente falta diversidade na hora de olhar portfólios e procurar por artistas, e isso gera uma insegurança grande por pessoas que não se sentem representadas.
Aliado à isso está o racismo estrutural, que perpetua a falta de informação sobre o assunto e evita que muitos profissionais busquem mais informações também. Mas a tatuagem pode e deve sim ser democrática.”

Como cuidar de uma tattoo recém feita?

Sempre faça como o seu tatuador recomendar, hahaha!
Digo isso por que você nunca vai encontrar um consenso quanto aos cuidados, e cada um sabe melhor da sua aplicação e da sua experiência. Eu costumo indicar o uso de curativo próprio nos primeiros 3 dias, não coçar, usar pomada cicatrizante e evitar exposição ao sol, mar e piscina por 15 dias.”

Qual a maior dificuldade em se fazer uma tattoo em Blackwork?

Acredito que as dificuldades são individuais. Para mim o estilo é algo que está tendo bastante visibilidade nos últimos anos, mas a dificuldade é transmitir uma experiência autêntica nesse universo que está cada vez mais impessoal e imediatista.
Eu eu gosto muito do contato, de todas as informações implícitas na conversa, no toque. Felizmente meus clientes também se identificam e respeitam a maneira que escolhi trabalhar. ❤”

Seu traço é bem marcante. É sua digital, sua marca registrada? Pra nós, que somos leigos no assunto, sua arte parece ter grande influencia no Old School. Realmente tem essa influencia em seu trabalho?

Fico feliz de ser reconhecida por ele, a linha sempre foi uma obsessão pra mim no começo da minha carreira há 10 anos atrás e sempre foi minha maior dificuldade.
Tive que me dedicar muuuuuito para superar esse ‘obstáculo’, e é interessante ver hoje o papel que a linha assumiu na minha identidade. Continuo fascinada pelo seu movimento, seu desenho e sua aplicação…
E eu tenho sim como uma referência o Old, sem dúvida! Gosto bastante das soluções do tradicional, como as sombras bem marcadas e os traços limpos, que fazem dele um estilo clássico e atemporal, resistente ao tempo com alta resolução. São essas as características do estilo que eu procuro incorporar ao meu trabalho.”

MANDALAS

Nós estamos aqui de boca aberta em toda essa arte da Mariana e não poderíamos deixar de falar das Mandalas produzidas pela artista.

“Eu amo ornamentais! Como já disse antes, tinha uma obsessão com a linha, que logo se transformou na pesquisa e reprodução de padrões, grafismos e todo o tipo de ornamentos. Nesse caso, minhas referências são bem abrangentes. Quando comecei a estudar o assunto, fiquei mais fascinada ainda: o ornamento é parte parte insolúvel da nossa humanidade.
Minha biblioteca de referências é extensa; arte barroca, art noveau, artesanato, até fotos de flores, grafismos, portões e bueiros que vejo pela rua! Sinto que meu estudo nessa área está apenas começando e ainda há muito a ser explorado.
Hoje eu estou concentrada em estudar formas mais tribais de ornamentação e o aspecto meditativo que se é possível alcançar pela repetição desses padrões, por isso estou buscando fazer peças maiores também.”

Não vamos te deixar com água na boca, não.
Confere só essas 4 Mandalas da artista e, claro, não deixa de seguir a Mariana Leal em suas redes sociais.

Oi! Você ainda está aí?
Compartilha o nosso texto, vai! E não deixa de contar a história da sua tattoo pra gente aqui nos comentários.

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Fernanda Moraeshttps://blog.tattoo2me.com
Editora no Tattoo2me Magazine. Mãe do Zion e Jornalista, às vezes. Cultura Periférica, Indústria Cultural e Tatuagem.

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