Richard Arthur: uma referência do realismo colorido

No dia 14 de setembro houve um Workshop pela Cheyenne ministrado pelo Richard Arthur. Rich é reconhecido por seus trabalhos em realismo colorido.

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No dia 14 de setembro houve um Workshop pela Cheyenne ministrado pelo Richard Arthur. Rich é reconhecido por seus trabalhos em realismo colorido e deu um workshop de arrasar para os ganhadores do sorteio feito pelo Instagram da Cheyenne!

Durante a introdução feita no período da manhã, ele falou sobre ser artista de pele e outras coisas das quais os alunos iam perguntando. Algumas frases me marcaram muito e me serviram de inspiração. Ele falou muito sobre encontrarmos nosso caminho, seja no realismo, no traço fino, no sketch e demais categorias. É importante que nos sintamos confortáveis naquilo que gostamos e devemos nos aperfeiçoar no que somos bons.

Sua humildade me impressionou. Na vida lidamos com pessoas demais que não se importam em nos trazer conhecimento (e nem falo somente sobre tatuagem, mas sobre qualquer área). Ele mesmo diz que o workshop é uma troca, pois assim como ele ensina, conosco ele também aprende.

No decorrer das dicas, ele defendeu que arte é sentimento e que o trabalho deve ser um trabalho em conjunto com o cliente – independente do objetivo. É importante que ele goste do que está em sua pele!

Foi feita, também uma entrevista com o Rich porque eu não poderia perder a oportunidade de conversar com ele. Foi inspiradora! Se liga no bate-papo:

Tattoo2me: Quem é Richard Arthur?

Rich: É muito difícil falar de nós mesmos. Mas sou um trabalhador. Tem certas coisas que eu acho pertinente, só que são muito clichê! (risos) Mas sou esforçado, tenho metas. Enquanto não as alcanço, não paro.

Tattoo2me: Vimos que você tem um canal no Youtube e seu primeiro vídeo foi postado há 4 anos. De onde surgiu a ideia dele?

Rich: Eu sempre fui muito fã da plataforma Youtube e acompanho muitos segmentos além da tatuagem. Comecei aprendendo tatuagem por ali, mas me decepcionei muito com um vídeo na época, pois era prometido ensinar algo que não fora ensinado no decorrer do vídeo. Afinal, se é prometido numa chamada do vídeo, é responsabilidade do cara aguentar até o fim! Eu tinha poucos meses de tatuagem, mas resolvi criar o canal – parece uma pretensão meio louca, né? O cara nem aprendeu direito a tatuar a vai ensinar os outros? Mas eu decidi fazer vídeo para ensinar o que eu aprendi e a cada lição nova, eu gravava o vídeo para ajudar quem quisesse realmente aprender.
O primeiro vídeo foi sobre Decalque Digital Para Tattoo – Impresso. E era algo que eu já sabia fazer pelo meu trabalho anterior. Muitos tatuadores agradeceram e aprenderam com aquele vídeo e isso me motivou mais!

Tattoo2me: Então você colocou um foco no canal para iniciantes?

Rich: Para todo tipo de tatuador. Eu mesmo sou estudioso, independente do tempo de tattoo que eu tenho. Recebo informações novas todos os dias. Aqui no workshop mesmo alguém pode dizer algo que eu não sabia, então todas as informações são para todo tipo de tatuador.
Um tatuador pode ter 20 anos de tattoo, mas um tatuador mais novo pode dar uma dica que ajuda este mais antigo.

Tattoo2me: Você tem o quadro Café com Tattoo pelo canal no Youtube. Você sentiu a necessidade de criar este quadro para fugir do esteriótipo de Youtuber que vemos tanto por aí?

Rich: Exatamente! Quando comecei o canal, havia poucas pessoas fazendo vídeos sobre passar a informação. Já ouvi muito perguntarem o porquê de eu estar ensinando, pois todo mundo sairia fazendo coisa errada por aí. E é exatamente por isso que eu ensino: para não fazerem coisa errada por aí!
Mas com o tempo, percebi que o Youtube é uma plataforma que qualquer pessoa pode colocar o conteúdo que quiser se estiver dentro das diretrizes dos termos de utilização. De um tempo pra cá, muitos estão migrando para o Youtube, mas, com isso, não via mais novidade no que eu estava fazendo. Com isso, especifiquei o nicho de pessoas que é maioria no canal: quem está no meio da tatuagem. O Café Com Tattoo tem o objetivo de conhecer pessoas. Eu tomo um cafezinho também por adorar café e converso com pessoas de todo o país, batendo papo à distância.
A propósito, no dia 15 iniciarei um novo quadro no canal que se chamará Entrevistatuando, que consiste em eu tatuar e entrevistar o cliente. Estrearei o quadro entrevistando o humorista Nilagra.
Eu não tenho um perfil de Youtuber/blogueinho, não é minha essência, então preciso me reinventar não só pela questão de ser um destaque, mas também para me animar no que faço no meio da tattoo.

Tattoo2me: Você fez uma live pelo Instagram e falou sobre talentos. Como foi seu método de estudo para descobrir o seu e como foi para aprimorá-lo?

Rich: Eu não tive um dia de descoberta. Foi algo natural. Fazendo eu descobri que tinha uma facilidade para as coisas.
Eu fui músico, tentei ser empresário do meio dos instrumentos musicais, fiz faculdade de gestão financeira e vários outros cursos.
E o desenho sempre fez parte da minha vida, mas não de forma profissional. Eu nunca me vi tatuando. Muitos viam que isso não era futuro pra ninguém na época. E, quando eu decidi ser tatuador foi quando eu falei pra um amigo que talvez tatuaria e ele me deu o maquinário. Treinei depois do trabalho em pele de porco e artificial. Fiquei por um pouco mais de 1 ano nos dois trabalhos até ser apenas tatuador.
Ou seja, não foi uma escolha. Foi algo que aconteceu, um destino! Eu peguei uma fase da tattoo muito boa, com materiais muito mais acessíveis.
Sobre o aprimoramento, vi muito outros artistas, fiz muitos workshops. Porém, depois da técnica, busco, hoje, a parte artística. Eu quero abrir a minha mente, quero enxergar coisas que outras pessoas não enxergam e treino minha mente para isso.

Tattoo2me: Numa live, também, você falou sobre a dinâmica de um studio e que com você algumas dinâmicas não funcionam. Qual seria a sua?

Rich: Acredito que o tatuador vende tempo e não tatuagem. Atualmente os atendimentos comigo são online – já eram antes da pandemia – já que cobro por hora. Dou uma estimativa e o cliente vê o que está de acordo com sua necessidade. Faço a arte junto dele porque eu consigo alcançar o que ele quer realmente fazer.
Senti uma proximidade maior com o cliente. O cliente não tem muitas vezes noção de tatuagem e estética e o nosso papel entra aí. É quando eu sento com ele enquanto tomamos um café e essa conversa abre a mente dele. Dificilmente o cliente faz a tatuagem parecida com a ideia inicial.

Tattoo2me: Você acha que o studio faz o tatuador?

Rich: Nos dias de hoje, alguns. Antigamente era o studio que levava o nome e o cliente entrava no studio e só depois conhecia o tatuador. O studio dava uma moral! Hoje é o inverso. Graças às redes sociais, pois o portfolio tem fácil acesso.
Eu acredito que se o cara é muito iniciante e não tem carreira consolidada, o studio pode ajudar nisso. Mas, se o cara já tem uma carreira fixada na tatuagem, ele é quem tá ajudando o studio e não o contrário.

Tattoo2me: Foi a Cheyenne ou vc já era reconhecido no seu trabalho?

Rich: A Cheyenne ajudou muito. Antes dela, eu tinha já tinha um reconhecimento pelo Youtube e também já tinha outro patrocínio pela Artfusion e foi por ali que fiz minha convenção fora do país. O patrocínio da Cheyenne fez com que eu alcançasse um respeito de pessoas que não me respeitavam tanto. É normal isso em qualquer carreira! Ela me ajudou muito fora do Brasil, como quando fui pra Alemanha. Eles abriram muitas portas. Trouxeram credibilidade e alcance.

Tattoo2me: Você sente que seu posicionamento político na rede social Facebook atrapalha seu trabalho?

Rich: Não. Eu tenho amigos que são clientes e têm um posicionamento contrário ao meu e nos respeitamos. Acredito que alguém que consegue respeitar as diferenças é a pessoa que quero como amigo e como cliente. Pessoas evitam se posicionar por medo disso interferir em alguma coisa, mas ela está atrás de uma cortina, ela não tá sendo ela. Será que esta pessoa é feliz desta forma? Eu não sou. Hoje eu busco não esquentar a cabeça por isso. Eu não conseguirei ser diferente. Eu não sei ser diferente disso.

Bem, só pela entrevista vocês já têm uma ideia de como foi produtivo o dia na Cheyenne, né?!

Deixarei, aqui, algumas fotos para vocês sentirem o gostinho de felicidade e vontade de estar mais ainda no meio da tattoo:

Rich na introdução do Workshop
Apresentação das máquinas e agulhas da Cheyenne enquanto dos tatuadores Carol, Rondinele, André as testavam.
Rich explicando sobre as máquinas que ele usa e a diferença entre elas.
“A primeira regra do Clube da Luta é: você não fala sobre o Clube da Luta.” – treco do filme O Clube da Luta que não poderia faltar neste trabalho realizado. (foto retirada do instagram do Richard Arthur)

O Rich tatua em Campinas num studio privado. Se quiser fazer um orçamento, é só procurá-lo no instagram que ele pode conversar com você!

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Capittoo
Formada em Letras, tatuadora e bodypiercer do Organika Tattoo (Jardins e Morumb, SP), ilustradora e fazedora de story do Instagram.

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