Tattoo Week Rio com Sylvio Freitas

Confira a entrevista com um dos organizadores da maior convenção de tatuagem da América Latina.

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Vocês tiveram a oportunidade de acompanhar, em nossas redes sociais, a presença da equipe Tattoo2me na última edição do Tattoo Week Rio. Está sendo uma experiência única vivenciarmos todo esse mundo gigantesco das convenções, ainda mais quando se trata da maior convenção de tatuagem da América Latina!

Não voltamos da Tattoo Week Rio 2016 os mesmos, como bem diz um de seus organizadores, Sylvio Freitas. Para nós, do Tattoo2me, ele está coberto de razão.

900 artistas reunidos na edição 2016 do evento no Rio de Janeiro. (Foto: Guilherme Mesquita)

Além da cobertura fotográfica disponível no nosso Instagram e em nossa página no Facebook — lá tem os álbuns completos — , produzimos um vídeo de alta categoria que vocês podem conferir mais abaixo no post.

O Tattoo Week Rio 2016 aconteceu nos dias 22, 23 e 24 de Janeiro no Espaço SulAmerica, região central da Cidade Maravilhosa e teve um público estimado em 20 mil pessoas, além das 5 toneladas de alimentos não perecíveis que foram doadas para as instituições beneficentes Casa do Menor e Pró Criança Cardíaca, localizadas no Rio de Janeiro.

Tatuadores dividiram espaço com performers e um público de 20 mil pessoas. (Foto: Guilherme Mesquita)

O evento deste ano teve uma ocupação de mais de 240 stands e a presença de aproximadamente 900 tatuadores de todos os lugares do planeta: Brasil, Estados Unidos, Itália, Argentina, Suécia, Portugal, Nova Zelândia, Suíça, Chile, Equador, entre outros. Todos esses artistas, juntos, mostrando o que acontece de mais legal pelo mundo, novas tendências e técnicas de tatuagem.

Durante os três dias de convenção, houve concursos de tatuagens em mais de 20 categorias, workshop com o renomado tatuador Victor Chill de Barcelona (especialista em técnica de Realismo e New School), e a escolha da Miss Tattoo Week Rio, coroando a belíssima Priscila Santos. Quem também marcou presença pesada foi o campeão da segunda edição da série americana Ink Master, Steven Tefft.

A linda Priscila Santos, Miss Tattoo Week Rio 2016. (Foto: Guilherme Mesquita)

Também houver atrações musicais, atrações circenses, campeonato de skate, exposições e o Cine Tattoo, onde foram apresentados curtas sobre tatuagem.

Diversas atrações, como disputas de rap, agitaram o palco principal do evento. (Foto: Guilherme Mesquita)

O objetivo do evento é promover o intercâmbio internacional entre tatuadores e body piercings, trazer as novidades do universo da tatuagem ao público brasileiro, além de premiar os profissionais que mais se destacaram no evento.

Depois do furacão Tattoo Week Rio, conseguimos conversar com o Sylvio Freitas sobre a importância do evento, sobre a proporção que a convenção tomou. Falamos ainda sobre o início do Tattoo Week em São Paulo, a vinda para o Rio de Janeiro, e a última edição do evento que ele e seu sócio, o também tatuador Ganso, produziram. Sylvio nos recebeu em seu estúdio, King7 Tattoo, localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.


Tatto2meComo foi trazer o Tattoo Week aqui para o Rio?

Sylvio Freitas — Trazer o Tattoo Week pro Rio, pra mim, foi uma coisa muito valiosa porque era um evento que já acontecia há dois anos em São Paulo, e nas duas primeiras edições (2011 e 2012) já houve um sucesso muito grande. O Ênio (Ênio Conte, tatuador com mais de 30 anos de experiência) e a Esther (Esther Gawedo) trouxeram grandes artistas da tatuagem mundial e nós nos aproximamos, e naquele mesmo evento eles me convidaram pra trazer o Tattoo Week pro Rio. E pra mim foi uma vitória dentro da minha profissão, porque eles tinham milhões de outras referências aqui no Rio, e eu fui o escolhido pra representar a marca deles.

E a gente não fez por menos, eu e o Ganso fomos a várias convenções… Londres, Austrália. E assim a gente pôde colocar em prática tudo que a gente viu pelo mundo.

Nossa primeira edição foi no Píer Mauá (Porto do Rio de Janeiro), com todo aquele visual, temporada de cruzeiros, e escolhemos a data de Janeiro pra conciliar com os artistas estrangeiros que viriam ao Rio com Réveillon, o verão carioca como atrativos pra esses artistas virem não só à nossa convenção, mas conhecer a cidade. Na nossa primeira edição conseguimos convidar grandes nomes como Steve Souto, Carlos Torres, e vários outros nomes e foi um sucesso. Foi importante pra tatuagem, foi importante pro país.

O público lotou os stands para garantir suas tatuagens. (Foto: Guilherme Mesquita)

Tatto2me — Quais os desafios que você encontrou para trazer o evento?

Sylvio Freitas — Foram vários e são vários ainda. Mas o principal desafio é a credibilidade. Tanto no nosso próprio meio quanto no meio de levar o evento a grandes patrocinadores. Rola uma suspeita e uma dificuldade, mas a gente sempre acreditou na tatuagem e sabíamos que independente de data, férias, a tatuagem iria conseguir movimentar um evento. E deu super certo. Mesmo com o verão, com a praia, com as férias… teve uma notícia: Tattoo Week briga com a praia e ganha!

Nessa primeira edição tivemos mais de 20 mil pessoas de público. Temos uma dificuldade de conquistar o tatuador, mas depois a gente tem que ter a preocupação de retribuir a esse tatuador. A gente tem uma mídia, que mesmo depois do Tattoo Week, ainda fica um burburinho, saem notícias sobre o evento. Queremos que o evento gere matérias e notícias, a movimentação que fica pós Tattoo Week é muito gratificante pra gente.

Muita beleza e autenticidade desfilou pelo Espaço SulAmerica, no Rio de Janeiro. (Foto: Guilherme Mesquita)

Tatto2me — O que o Tattoo Week representa no cenário carioca?

Sylvio Freitas — A gente tinha um espaço aberto aqui no Rio. A última convenção tinha mais de dez anos que aconteceu, o Tattoo Zone. O que eu vejo é um evento que reúne um grande número de pessoas, reúne uma mídia espontânea, e a gente não traz essa mídia só pra gente: você vê vários tatuadores nas capas de revistas e jornais, como no Globo Barra sai os tatuadores da Barra, da Zona Norte sai os tatuadores da Zona Norte.

Então, o Tattoo Week tá conseguindo não só movimentar a vida do tatuador, do organizador, mas tá mexendo com o mercado da tatuagem. E a gente precisa dessa visibilidade… tintas… a gente ainda tem algumas restrições da ANVISA para entrarem outras tintas no mercado e tem que entrar pra que haja concorrência e essa concorrência faça com que os produtos evoluam.

A gente tem a preocupação de realmente premiar o ganhador da convenção. Na primeira edição, fechamos com a convenção de Amsterdam e o melhor tatuador de lá veio pro Rio e a melhor do Rio foi pra Amsterdam. E hoje os caras tão vindo pra cá… artista internacional comprando stand pra vir.

Eu vejo uma diferença entre o público do Rio e de outros estados, o público do Rio vai pra se tatuar. Conseguimos tirar um pouco do “pele pra competir”, e tentamos fazer com que o tatuador entenda que aquele é nosso mundo, nosso momento. Quem vai pra vender, vende. Quem vai pra tatuar, tatua e pra gente isso tá super satisfatório.

Girl Power: cerca de 180 mulheres entre os 900 profissionais no evento. (Foto: Guilherme Mesquita)

Tattoo2me- E qual foi o impacto dessa última edição?

Sylvio Freitas — Pra mim, ficar na parte operacional foi muito difícil, pouco fui ao palco fazer as entrevistas, homenagens, apresentações. Quem tá ali, de fora, não tem nem noção do que tá acontecendo. Tinha cambista, venda de ingressos falsos. Tá todo mundo na festa, tatuando, mas na parte operacional, a gente tem noção do que tá acontecendo. E aquilo gerando renda pra muitas outras pessoas.

Em tempo de crise a tatuagem conseguiu falar mais alto e gerar renda.

E teve o copo também, aquele copo é reciclável e foi fantástico. Foram 2.500 copos e com isso a gente deixou de sujar muito o ambiente. A pessoa que quis, foi lá e alugou o copo e devolvia. As pessoas que não devolviam tinham um caução. E só 15 copos foram devolvidos, e mesmo assim ainda teve gente querendo comprar os copos, mesmo sendo usados. Só começamos esse ano, mas vamos aprimorar pro ano que vem. Pra se fazer um copinho descartável você usa 500 ml de água, imagina numa tira com 100 copos ou com 1.000 copos ou com 10.000 copos!

A gente quer mover atrás da tatuagem, do evento, do Tattoo Week outros tipos de ações também. A tatuagem tem tudo pra movimentar um mercado, uma sociedade como qualquer outra classe e segmento.

Tattoo2me — O que você espera para as próximas edições?

Sylvio Freitas — Eu espero muito mais trabalho. Muito mais determinação, empenho. Na nossa classe, dos tatuadores, a gente precisa de união. Não é um evento só pra gente, mas pra classe toda.

A gente conta e conta muito com a ajuda de todos os expositores. Sem eles é impossível fazer um evento que tenha um clima, uma harmonia como teve. Não tivemos nenhuma briga, tivemos uma ou duas ocorrências médicas, uma foi um tatuador que caiu a pressão porque estava trabalhando demais. Nenhuma ocorrência policial. Então chegamos a um evento família, tivemos a presença e 313 crianças esse ano.

Todo mundo tá feliz e confortável de estar ali e que a gente consiga perpetuar esse evento.

Foto: Guilherme Mesquita / Vídeo: Lucas Jones


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Fernanda Moraeshttps://blog.tattoo2me.com
Editora no Tattoo2me Magazine. Mãe do Zion e Jornalista, às vezes. Cultura Periférica, Indústria Cultural e Tatuagem.

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