Você precisa conhecer Dani Bastos

Tattoo com atitude: “deixei para trás tudo que tinha e fui…”

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Por onde começar… Era tanta informação, inspiração e resistência que a artista Dani Bastos nos conquistou. Conquistou mesmo! Conversamos sobre ela, sua trajetória, seu trabalho e sua postura durante uma tarde. E como ela se parece com a gente… E teve trilha sonora — calma, a gente já fala disso!

Acabamos de voltar de Brasília onde pudemos conhecer a Dani e seu trabalho bem de pertinho. E queremos dividir com vocês a trajetória desta artista maranhense que fez pouso com a família no Distrito Federal. Com vocês, Dani Bastos:

“Sei que é clichê esse papo de ‘sempre quis ser artista’, mas eu sempre quis! Minha mãe e minha tia, artistas plásticas, me incentivaram desde os 5 anos de idade. Por muito tempo eu quis ter poderes, e o que mais se aproximava disso era ser super-heroína logo… era meu sonho!”

Dani Bastos em ação. Ao lado, um pouquinho do seu estúdio.

E a super-heroína, além do dom artístico, tem o poder de resistir e ir contra estereótipos que nós aqui — e meio mundo — tanto tentamos combater:

“Precisamos falar do machismo no mundo da tatuagem! Ele existe e torna qualquer começo mais difícil do que deveria ser e, sim, ele é um problema real. Senti resistência e dificuldade, ainda sinto. Isso vem de outros profissionais e também de clientes. É sútil, no desrespeito, no desmerecimento, na tentativa de calote, no assédio… Parece que existe a necessidade dobrada de provar competência.”

“Aprendi com alguns sinais a detectar esse tipo de pessoa e filtrar os clientes que tenho. Machismo, racismo, fascismo, homofobia e derivados são proibidos no meu estúdio, na minha vida.”

A tatuadora nos conta que, embora pareça ter menos, tem 27 anos completos e apenas 1 ano de profissão. Aliás, começou profissionalmente a tatuar na mesma convenção que nos conhecemos, o Brasília Tattoo Festival.

“Antes de me arriscar profissionalmente, estudei o universo da tatuagem durante 2 anos junto ao tatuador Jerson Filho. Meu sonho sempre foi ser artista, mas minha realidade financeira era bem difícil, e por isso eu internalizei que a arte não era possibilidade numa família como a minha. Nesse processo, eu estudei sistemas da informação, fui atendente de telemarketing, vendedora em shopping… até o dia que encontrei um meio de profissionalizar e desenvolver a minha arte… casei o que eu amava com a forma de me manter.”

E quem te motivou nessa estrada?

“Atualmente ela é minha sócia, não por acaso. Moara Ribeiro é cantora (gravem esse nome, a voz é inesquecível) e administradora de empresa. Melhor amiga, companheira de vida, porto seguro e principal incentivadora desde antes do começo. Foi quem apresentou meu mestre e pilhou a ideia da tatuagem.”

Nós aqui, claro, fomos conferir a voz inesquecível da Moara Ribeiro e, sim, ela tocou na nossa playlist. É na voz dela que ouvimos essa frase tão intensa do subtítulo desta matéria.

Dani também nos contou que adora tatuar animais ❤, que define seu estilo de tatuagem como contemporâneo e que seu maior ídolo na tatuagem é Victor Montaghini. Falou também que usa hachura, sketch e intervenções de cores como algumas de suas técnicas. A tatuagem mais inusitada que já fez foi um smile no bumbum de uma modelo e que na vida, sua mãe é sua ídola.

“Minha mãe me ensinou desde cedo que lugar de mulher é onde ela quiser. Correu atrás, batalhou e batalha por tudo que acredita. Caiu um milhão de vezes, e em todas elas, levantou muito mais forte. Sem dúvidas, carrego comigo essa referência.”

Qual o melhor lugar do mundo para você?

“Pode ser minha cama num dia, uma praia deserta em outro ou até mesmo meu estúdio durante uma tattoo. Sinceramente, qualquer lugar onde eu consiga encontrar a paz e tranquilidade será para mim o melhor lugar do mundo.”

Qual palavra ou frase te descreve?

“A placa de censura no meu rosto diz: ‘Não recomendado à sociedade.’ Essa música como um todo. Não recomendado, de Caio Prado.”

Que artistas você acha que todo mundo deveria conhecer?

“Joana Limongi e Victor Montaghini.’’

Dani ainda nos contou que guarda um lugar especial para cada profissional que admira:

“Minha meta é conseguir carregar comigo pelo menos uma tattoo de cada profissional que admiro. Eles e elas não sabem, mas um dia vão saber, que guardo com carinho cada cantinho do meu corpo para todos.”

Estilo em Aquarela

Dani Bastos deixa nítido que o estilo em que aplica seu trabalho ainda não é a aquarela — ainda não, pelo menos. E que Victor Octaviano é o artista que mais lhe inspira.

“Eu dou o nome de intervenção de cor, pois a aquarela em si é uma técnica muito mais complexa e que não utiliza traço. As intervenções eu faço livremente, no momento da tatuagem, diretamente na pele, com confiança plena de cada cliente.”

Cena Artística de Brasília

Já no que rola no Distrito Federal, quem inspira Dani é a artista — e também tatuadora — Monique Pak.

“A cena de Brasília é pulsante! Muita gente nova surgindo, e muita gente experiente também. Eu tatuo há um ano e nesse processo todo tenho como mestre o Kaká, que é tatuador há mais de 30 anos e um dos primeiros tatuadores da cidade.”

“Brasília é muito mais que política… mesmo! Muito além do cinza. Tem o céu mais lindo desse país, um pôr do sol incrível. Tem um movimento artístico pulsante na cidade, e não falo só da tattoo. Na música, no teatro, nas artes plásticas em geral, na dança, na literatura… tem gente independente com muito talento por aqui. Me orgulho de ter a minha história entrelaçada na história dessa cidade que me acolheu desde criança. Eu sou só um pedacinho dessa cena que se reinventa o tempo todo.”

Como eu disse, acabamos de retornar ao Rio de Janeiro. Conhecemos muitos lugares, muitos artistas. E cada lugar é uma experiência única. Brasília foi o quintal da nossa casa. Fomos recebidos com muitos abraços, muitos sorrisos. Música boa também, muita música boa! Afeto vindo de todos os lados. O sorriso tímido da Dani quando fui me apresentar… Em cada viagem, voltamos com a mala cheia de experiências, presentes, amigos, joias… e guardamos todos aqui bem pertinho da gente.

Obrigada, Dani, por compartilhar e dividir com a gente um pouco do que você é e um pouco do que é importante para você. Nos vemos em breve!

E se você quer saber um pouco mais sobre AQUARELA, se liga:

Fineline, Aquarela e Blackwork: a linha tênue entre tatuagem e obra de arte
Técnicas e conceitos de traços e preenchimentos.


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Fernanda Moraeshttps://blog.tattoo2me.com
Editora no Tattoo2me Magazine. Mãe do Zion e Jornalista, às vezes. Cultura Periférica, Indústria Cultural e Tatuagem.

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